The Castle in the Forest

The Cstle in the Forest, a novel by Norman Mailer 

 

 

 Acabei de ler a novela “The Castle in the Forest” de Norman Mailer. Das várias observações que pretendo fazer sobre o livro, escolho começar por uma referência ao título da versão traduzida para português, “O Fantasma de Hitler”, para dizer que não entendo como é que um tradutor se arroga o direito de mudar completamente o sentido do título da obra, desrespeitando a intenção do autor ao escolhê-lo. Acontece que o autor explica a razão da sua escolha de título no epílogo do livro, fazendo questão de não deixar qualquer ambiguidade sobre o assunto. Não li a versão portuguesa, mas imagino que o epílogo tenha completamente deixado de fazer sentido.

Das páginas do livro retiro o excerto de uma crónica do The New York Times Book Review:

“This remarkable novel about the young Adolf Hitler, his family and their shifting circumstances, is Mailer’s most perfect apprehension of the absolute alien. … Mailer doesn’t inhabit these historical figures so much as possess them. … Mailer the wild empathizer, the maestro of the human ego, is keen and blunt about … what, in effect, are the deceptively homey psychological origins of evil.”

Esta e outras crónicas inseridas pelo editor abrem largas expectativas sobre uma obra que se revela desconcertante e que, na minha opinião, não funciona de todo. Mas demos realce, antes de mais, àquilo que este livro tem de melhor; a erudição da linguagem. Imagino que a tradução portuguesa não tenha sido capaz de fazer jus a um texto que, na nossa língua, seria digno de um Baptista Bastos, por exemplo. Duas citações, escolhidas ao acaso, devem ser suficientes para ilustrar a qualidade homogénea desta escrita, que se mantém ao longo de toda a obra.

“Indeed, as he soon learned by visits to her attic room, she was a virgin of the most tormented sort, a maiden in the old peasant tradition. She had kept the formal entrance to her chastity intact but the same could not be said by its neighbor. This was not so agreeable to Alois. The Hound was too large to permit a good poke into “the smelly and the damned” (or so he would characterize it). Fanni would moan in a very low voice (in order that the rest of the attic not hear) but they were both suffering. All the more intense became their embrace. In the heat of the hour, they loved each other, a not uncommon reaction when the carnal ore is considered to be contraband.”

“The priest was middle-aged and had little to learn about the peasantry, so he could sense that Nepomuk was lying. Nonetheless, his preference was that the account be true because bestial sodomy, while as mortal a sin as adultery or incest, was to his mind less grievous. It would, after all, produce no offspring. He proceeded, therefore, to exercise his office without further questioning.”

Estabelecido o ponto a respeito da inquestionável erudição da linguagem, vejamos de que trata, afinal, o livro. Se o leitor se preparou para um romance histórico construído à volta da personagem do jovem Hitler, via sair defraudado. O narrador é um demónio, supostamente encarregado pelo Maestro, o mestre dos demónios, de acompanhar a formação do “prometedor” Adolf Hitler. Ficamos a saber que os humanos foram criados por Deus, aqui tratado por Dummkopf (tolo, estúpido). Na sua criação, Deus cometeu imensos erros e tem um exército de anjos (Cudgels) que vão tentando influenciar o comportamento dos humanos para que sigam os desígnios de Deus. Não chegamos a perceber bem de onde surge um Maestro (the Evil One) com o seu exército de demónios, que tudo fazem para boicotar a obra dos Cudgels. Toda a história gira à volta da vitórias e derrotas do narrador e dos seus companheiros junto da família de Hitler e do próprio Hitler enquanto criança. Pelo meio, sem se perceber a que propósito, o narrador vai passar seis meses a Moscovo para ajudar a provocar uma catástrofe nas celebrações que se seguiram à coroação de Nicolau II.

Para resumir, achei toda a construção desconjuntada e achei que não funciona. É certo que tem dados interessantes sobre o ambiente em que Hitler terá crescido incluindo, pasme-se, descrições pormenorizadas sobre vários aspecto de apicultura. É obra que não recomendo na versão original, muito menos na versão traduzida.

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