Para que Queremos a Qimonda?

A resposta a esta pergunta é óbvia: para preservar 1000 postos de trabalho na região de Vila do Conde. Mas se a pergunta fosse “Para que quisemos a Qimonda?” já a resposta seria bastante mais complicada. Se estou bem informado, a Qimonda compra à casa mãe, QIMONDA, bolachas de silício de 300 mm de diâmetro, nas quais “imprime” os chips que irão ser usados para fabricar memórias de computador. Esses chips são vendidos à QIMONDA, que fabrica as memórias noutras instalações e depois as comercializa.

As razões que levam a QIMONDA a interessar-se por ter em Portugal uma unidade industrial que poderia funcionar em qualquer parte do mundo têm de ser entendidas. Todos os fornecimentos da Qimonda são feitos pela QIMONDA, incluindo toda a tecnologia usada. Exclui-se, naturalmente, a água, a luz, o telefone, que são nacionais. Também é nacional a mão de obra e os incentivos financeiros e fiscais e aqui é que está o busilis da questão. Se a Qimonda compra e vende tudo à QIMONDA, as razões para pretender estar em Portugal, em vez de outro lado qualquer, têm de ser encontradas na expectativa de pagar baixos salários e de receber elevados incentivos. Queiram os trabalhadores portugueses receber salários idênticos aos seus colegas alemães e deixe o governo de dar incentivos e adeus Qimonda. Agora poderá ser adeus Qimonda, mesmo com salários baixos e incentivos altos, porque a QIMONDA está insolvente.

Pergunto que interesse tem para a economia nacional uma empresa que apenas cria postos de trabalho de qualidade secundária à custa de incentivos governamentais sem outro qualquer reflexo na economia do país. Se a Qimonda fechar, o que fica na economia nacional? Nem sequer fica a tecnologia porque, embora existam no país conhecimentos e investigação no fabrico de semicondutores, eles não são obtidos nem estão ligados a multinacionais. Tudo quanto na Qimonda tenha a ver com uso de inteligência fica reservado para a QIMONDA e cá apenas se executam receitas. Se o dinheiro que o estado investiu na Qimonda tivesse sido usado para incentivar empresas e laboratórios de investigação portugueses não teria tido maior repercussão na economia? Não sei, julgo que ninguém sabe, mas dá que pensar.

E claro que a Qimonda não interessa a nenhum comprador, porque só interessa a quem comprar a QIMONDA. A filha é dependente da mãe para tudo, porque a mãe nunca lhe permitiu emancipar-se.

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