O Cérebro do Planeta

Para mim é irresistível a ideia de que todas as espécies, incluindo a espécie humana, evoluíram por um processo de selecção natural a partir de espécies mais primitivas. Este processo deve ter determinado o que são as espécies actuais em todos os aspectos, nomeadamente na configuração e modo de funcionamento do cérebro, que é aquilo que mais me interessa aqui.

Penso que o desenvolvimento do cérebro deve ter sido determinado pela necessidade seja de passar informação entre gerações seja de processar uma quantidade cada vez maior de informação. O processo mais antigo de passagem de informação é, certamente, o código genético, no qual parece estar condensada toda a informação relativa à fisiologia dos indivíduos. Para além desta há informação básica de sobrevivência que umas gerações passam às seguintes, durante um período mais ou menos longo de aprendizagem, a qual é armazenada no cérebro. Porque os animais superiores necessitam de muito mais informação do que os animais mais simples, o seu cérebro é comparativamente maior, como é mais extenso o período de aprendizagem com os progenitores ou com a comunidade. Para além de armazenar mais dados, o cérebro dos animais superiores também foi chamado a processar uma quantidade cada vez maior de informação, o que também deve ter ditado o aumento do seu volume.

O que parece ter acontecido com a espécie humana foi que, a certa altura da evolução, foi capaz de se libertar das limitações impostas por um cérebro que tendia a ficar desproporcionadamente grande e por um período de aprendizagem que já ocupava uma parte substancial da vida. Isto foi conseguido através da colocação de informação em locais e sob formas que as gerações vindouras pudessem utilizar. Primeiro foram representações pictóricas, depois a escrita, os livros e as bibliotecas. As bibliotecas aparecem aqui como uma extensão do cérebro; como produto natural da evolução por selecção natural.

As bibliotecas funcionam como extensão da capacidade de armazenamento do cérebro mas não acrescentam nada à capacidade de processamento. Esta foi complementada recentemente com o advento de computadores, que foram também uma forma de ultrapassar as limitações do cérebro. Mais surpreendentemente, os computadores começaram a ficar ligados em redes, por sua vez interligadas, mimetizando as sinapses dos neurónios no cérebro. Todo este panorama configura, a meu ver, o desenvolvimento de um cérebro planetário, que não tem nada a ver com o Big Brother criado por George Orwell.planetbrain7

Este cérebro planetário desenvolve-se inexoravelmente, independente da vontade de cada um de nós, mas não creio que haja qualquer razão para recear que ele venha a cercear a liberdade individual. Com tentativas e erros, ele deverá evoluir no sentido de favorecer a sobrevivência do planeta como um todo.

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