Direito à greve

O direito à greve é um direito estranho; não tenho dúvidas de que é um direito, porque a lei assim o estabelece, mas tenho muitas dúvidas de que a lei esteja bem feita. O direito à greve apareceu, na Grã Bretanha, historicamente, como a possibilidade de os operários se oporem aos patrões, que podiam fechar as fábricas quando muito bem lhes apetecia (lock out). A greve dos operário destinava-se a causar prejuízo directo aos patrões, não à sociedade em geral.

Acontece que a economia mudou muito desde então e as greves de sucesso fazem-se hoje nos sectores que mais afectam toda a população e contra o governo; uma greve numa fábrica passa quase despercebida face a uma greve dos transportes. Parece ter já passado o tempo em que a greve de uns impedia todos de trabalhar, porque era inadmissível ser fura-greves; felizmente que isso já é raro. Hoje fala-se também em greve por iniciativa dos patrões; os donos das empresas de transporte propõem-se fazer greve contra o governo, se calhar colocando os seus camiões em marcha lenta nas estradas e entradas da capital.

Na situação actual do país, todas as perturbações da economia levam os mercados internacionais a subir os juros da dívida e, em última análise, acarretam prejuízos também para aqueles que fazem greve. Os benefícios obtidos com greves, na situação presente, são ilusórios e passageiros. Vejo, com grande apreensão, a onda de perturbações que parece avizinhar-se.

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