É raro que a actuação dos políticos nos deixe uma impressão de responsabilidade. De pôr o país antes do partido. Na minha opinião, Pedro Passos Coelho pensou no país quando se prontificou a encontrar uma plataforma de acordo com José Sócrates sobre as medidas de austeridade; claro que o acordo implicou cedências mútuas, pelo que o sentido de responsabilidade deve ser creditado a ambos, mas a tentação de fazer cair o Governo deve ter sido grande para o líder do PSD. A médio prazo, julgo que Passos Coelho acabará por retirar dividendos políticos deste episódio.
Sentido de responsabilidade foi também o que manifestou o Presidente da República ao promulgar a lei relativa ao casamento homossexual, apesar das suas objecções pessoais. Nesta altura teria sido totalmente contraproducente voltar a enviar a lei para a Assembleia da República e o resultado final teria sido apenas o de adiar a sua aprovação final. Falta de sentido de responsabilidade é a apresentação de uma moção de censura pelo PCP porque, também aqui, já se pode prever o resultado final e não se vai ganhar nada com o tempo que os deputados vão dedicar à sua discussão.

Estou parcialmente de acordo quanto à primeira parte e estou plenamente de acordo coma segunda. Não estou plenamente de acordo com a primeira porque o Governo, depois de tantas patranhas que tem despejado no povo português, vai desmanchar estas premissas do acordo, tal como já começou com as obras faraónicas