As promessas devem ser cumpridas, mesmo as promessas eleitorais, que todos os governos ignoram depois de eleitos. Quando há mudança de partido a desculpa é que encontraram uma situação muito mais complexa do que esperavam e quando não há mudança de partido qualquer desculpa serve. O incumprimento das promessas é, regra geral, inaceitável, porque a situação do país é suficientemente conhecida de todos para se saber que há promessas que ninguém poderá cumprir.
No entanto há situações em que pode ser legítimo não cumprir promessas. Suponha-se um governo que promete reduzir despesas com a defesa, porque vivemos em paz e não há necessidade de manter uma máquina de defesa desproporcionada. Se o país sofrer, entretanto, um ataque inesperado ou um surto de terrorismo, é obrigação do governo promover a defesa do país com os meios que se revelem necessários.
No mundo actual os ataques não são necessariamente feitos com armas, ou melhor, a arma financeira pode ser mais eficaz para um ataque do que armas convencionais. Por isso acho, por uma vez, justificado que o governo falte às promessas, o que não justifica os desvarios cometidos antes, nomeadamente durante o ano passado, com vista às eleições.