No final do século X a Península Ibérica estava quase toda sob a dependência do califado de Córdova; a excepção eram os reinos cristãos no Norte. O modo de vida de cristãos e muçulmanos era substancialmente diferente, sendo as cidades árabes muito mais faustosas e prósperas do que as cristãs.
Alberto S. Santos descreve-nos em pormenor ambas as sociedades e as constantes refregas com pretexto religioso, imaginando uma princesa do norte que, por duas vezes, é raptada e levada para Córdova como escrava. A vida de uma escrava na alta sociedade cordovesa, no entanto, não é de todo desagradável e a convivência com as crianças da casa acaba por fazer despertar uma tracção mútua entre o filho mais velho e a escrava. Anos mais tarde casam e a escrava adquire a liberdade. O final não é daqueles em que os noivos vivem muito felizes para sempre, é mais imaginativo. O principal interesse do livro é, no entanto, o conhecimento que nos dá da sociedade peninsular antes da reconquista cristã.
