O complexo das 7 fontes é uma obra monumental de captação e abastecimento público de água à cidade de Braga, edificada sobretudo no século XVIII mas certamente iniciada no século anterior e com adições sucessivas até ao século XIX. Em 1929 iniciou-se a captação de águas no rio Cávado e as águas das 7 fontes foram leiloadas em hasta pública, passando a abastecer casas particulares, contra uma renda paga à câmara.
No exterior são visíveis seis casas ou mães de água, que servem para junção de condutas, tratamento e decantação das águas. Em tempos eram sete mães de água, cilíndricas, encimadas pelas armas do arcebispo D. José de Bragança e a data de 1744, hoje restam seis e só uma conserva o brasão de armas, já deteriorado.
No interior das mães de água as condutas desaguam numa pia circular, de onde sai o cano para a fase seguinte.
Também são visíveis respiros cilíndricos, sendo o maior e mais impressionante aquele que fica encostado ao muro do Colégio das 7 fontes; este tem 12 metros de profundidade e, visto por dentro, pode ser observada a precisão da sua construção.
As mães de água e os respiros estão ligados por condutas que permitem a passagem de pessoas em pé; algumas são relativamente largas mas outras são estreitas e obrigam a curvar a cabeça.
Em zonas onde as condutas são mais profundas o tecto é em “V” invertido para suportar o peso do solo.
O cano principal, que está à superfície e se dirige para a cidade, é constituído por pedras furadas.
As pedras que formam os canos encaixam umas nas outras com um sistema de macho-fêmea, que era selado com uma argamassa em cuja composição entrava azeite e gesso.
Existem aberturas rectangulares na face superior das pedras, destinadas à manutenção do cano, as quais são seladas com bojões de pedra e argamassa.
O cano principal atravessa zonas urbanizadas; neste caso evitou-se, in extremis, que o alicerce do prédio cortasse o cano.
