O jornal Público traz uma notícia intitulada “E os prémios da má ciência vão para…” em que são relatados vários casos de resultados de investigação fraudulentos ou não consolidados, todos eles com a característica comum de terem sido publicados na revista Science, a revista científica de maior prestígio em todo o mundo. O prestígio desta revista é tal que há vários investigadores a colocar como fim último da sua investigação conseguirem publicar nela um ou mais artigos; não que abertamente o admitam, mas torna-se óbvio pelas suas atitudes.
As revistas científicas de prestígio procuram assegurar a qualidade do material publicado submetendo os artigos que lhes são enviados à apreciação de especialistas da área, chamados pares. Este sistema não é uma garantia de qualidade, como se verifica pelos exemplos da notícia do Público e por muitos outros, que não chegam sequer aos mass media. Para além disso o sistema é altamente conservador, porque os pares só podem apreciar aquilo que conhecem, o que tende a relegar as ideias realmente inovadoras para revistas que ninguém lê ou mesmo a não serem publicadas de todo.
Infelizmente é esta a situação das publicações científicas e não só; o financiamento de projectos segue uma via idêntica de apreciação, que é conservador e não garante a qualidade daquilo que é financiado.
Editado: Um dos casos noticiado não foi ainda publicado pela revista Science porque está em discussão se poderá servir a terroristas.
