Monthly Archives: Fevereiro 2012

A água dos senhores deputados

Num estudo recente, a Assembleia da República concluiu que fornecer aos deputados água engarrafada, como tem sido hábito, fica 30 vezes mais barato do que fornecer-lhes água da torneira. É claro que no preço da água da torneira pressupôs-se que haveria jarros e copos de vidro, que seriam lavados e desinfectados, sendo necessário considerar o custo do pessoal para efectuar essas operações, assim como teve que ser prevista alguma quebra de recipientes, que terão que ser substituídos.

Posta a questão desta forma até não surpreende que a água da torneira fique muito mais cara do que engarrafada, mas o resultado seria muito diferente se cada deputado levasse a sua garrafinha e a fosse encher à torneira ele próprio. A propósito, porque hão-de os senhores deputados ter direito a água de borla, quanta quiserem? E um professore que tem que se fazer ouvir por uma turma de vinte e tal alunos irrequietos e tem de suportar o pó de gis? Alguém lhe oferece água?

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O Quarto Reich

Oh… já acabou! O livro é pequeno, tem letra grande e é um “passa páginas”, por isso o leitor chega ao fim num instante. Francesc Miralles não é um autor consagrado, muito menos de novelas de suspense e talvez isso justifique alguma sensação de que podia ter explorado melhor as situações, mesmo assim não há dúvidas de que a narrativa prende.

Um jornalista de pouco sucesso acaba, sem perceber porquê, por ser a peça central na busca de uma pasta com documentos escondida por Himler em 1940, a qual é desesperadamente procurada por diversos grupos. Para preservar o interesse e a emoção de quem vai ler o livro, não revelo mais sobre a trama que se tece.

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Bill Bryson em casa

Acabei de ler o livro de Bill Bryson “Em Casa – Breve História da Vida Privada”, onde o autor usa a sua casa como mote para falar sobre a vida privada e social na Grã-Bretanha e América do Norte ao longo dos tempos. A casa é um priorado rural, construído em 1851, e Bill Bryson vai passando de uma divisão para outra, aproveitando para discorrer sobre os mais variados aspectos da vida.

A narrativa é bastante menos humorística do que em “Down Under“, talvez porque é mais simples ser mordaz quando se escreve a respeito de culturas que não são a nossa, mas é, ainda assim, um livro agradável e informativo. A sociedade e cultura britânicas são bastante diferentes da nossa e há, por isso, muitas situações e características que não se nos aplicam, tendo a evolução sido diferente por cá; ainda assim, este olhar para o passado ajuda a compreender aquilo que somos. Apesar da lista exaustiva de fontes que se encontra no fim do livro, há um caso ou outro em que os relatos do autor não concordam com o que eu julgava que sabia; não fui verificar quem tem razão mas ficou-me uma pequena sensação de falta de rigor.

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Lar Conde de Agrolongo

O actual Lar Conde de Agrolongo, em Braga, é um edifício do início do Séc. XX, construído no local onde existia o Convento do Salvador, este do Séc. XVII, que se pode ver representado numa pintura existente no interior.

Convento do Salvador

Do convento original resta o templo, onde a maior parte da decoração é do Séc. XVIII e se encontra em excelente estado de conservação, nomeadamente os tectos pintados, o retábulo do altar mor, o púlpito e o órgão.

Pormenor do retábulo

Órgão

Pormenor do retábulo da sacristia

Tenho mais fotografias no Picasa.

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O declínio de Portugal

É o título que abre hoje todos os noticiários e primeiras páginas dos jornais: Presidente do Parlamento Europeu diz que o futuro de Portugal é “o declínio”. Martin Schulz referia-se ao recente apelo do Primeiro Ministro em Angola para que este país invista em Portugal, mas estas declarações devem ser enquadradas no contexto geral da entrevista e, parece-me a mim, o entrevistado estava apenas a dar um exemplo do recurso a investimentos de países que não respeitam direitos humanos, não deixando de mencionar o caso dos investimentos chineses, o que encerra uma crítica implícita a Angela Merkel.

É compreensível que o presidente de uma instituição parlamentar, que é sede da democracia, se preocupe com a “falta de escrúpulos” dos governantes quando fecham os olhos à situação dos direitos humanos em países com os quais se relacionam. Ser governante implica pensar e actuar em benefício dos governados e acredito que políticos eminentemente democráticos se vejam obrigados a engolir muitos sapos nestas situações, mas o mundo real está muito longe do ideal e as relações económicas com governos não democráticos não são de agora e têm sido indispensáveis, basta pensar, por exemplo, a quem compramos petróleo.

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Arcos de Valdevez

Na sexta-feira passei o dia em Arcos de Valdevez, numa visita guiada pelo historiador Eduardo Pires de Oliveira e, como tem sido habitual nestas visitas, foi uma oportunidade de ver locais e obras para as quais me tinha antes limitado a olhar.

Começámos pela Biblioteca Municipal, um palácio restaurado com tectos magníficos.

Pormenor de um tecto

Da Biblioteca Municipal passámos à Igreja do Espírito Santo para ver e entender as talhas.

Pormenor do púlpito

Daqui para a Igreja Matriz.

Sacrário

Depois para a Igreja da Lapa.

Altar mor

E depois para a Misericórdia.

Arcaz da sacristia

A seguir ao almoço, no Pote, seguimos para Sistelo, com uma paragem em Gondoriz.

Portão monumental

Em Sistelo são notáveis os socalcos cultivados nas encostas.

Sistelo

Há muito mais fotografias no Picasa.

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Justiça de anedota

Ontem foi condenado um sem abrigo por ter tentado roubar, no Pingo Doce, mercadoria no valor total de 25 euros, mercadoria que foi recuperada pelo segurança da loja. Quando os grande crimes económicos ocupam os tribunais durante anos e acabam por prescrever, este caso é uma verdadeira anedota, se não, vejamos alguns factos.

O processo foi levantado pelo ministério público, que pagou o defensor oficioso e as custas, num total superior a 100o euros; o paradeiro do arguido é desconhecido, pelo que é duvidoso que a sentença venha ser cumprida. Se vier a ser encontrado tem a opção entre ir preso ou pagar 250 euros de multa.

Porque é que o sistema de justiça só é capaz de produzir sentenças exemplares nestes casos mesquinhos?

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