Sobre a liberdade no Dia da Liberdade

Este ano a Associação 25 de Abril resolveu não participar nas cerimónias oficiais do 25 de Abril e, em solidariedade, também Mário Soares e Manuel Alegre decidiram não ir à Assembleia da República neste dia. Fizeram bem ou mal, eles o saberão e fizeram uso do direito de recusar o convite para uma celebração; o facto de poderem fazê-lo e de poderem dizer porque o fazem deverá ser suficiente para provar que existe, de facto, liberdade em Portugal.

Alegadamente, a política seguida pelo governo actual não respeita os ideais do 25 de Abril, mas quem detém a competência para julgar o que está ou não de acordo com os ideais da revolução? O mais que poderão dizer aqueles cidadãos é que esta política não está de acordo com os seus próprio ideais. Também não está de acordo com os meus ideais, já agora, e atrevo-me a pensar que até nem está de acordo com os ideais do Primeiro Ministro. O idealismo tem de submeter-se ao realismo, quando o que está em causa são as necessidades básicas.

O idealismo dos políticos que governaram Portugal desde 1974 não está isento de responsabilidade na situação que vivemos hoje, convém não esquecer, o que não significa menos respeito e consideração por aqueles que nos restituíram a liberdade. Estou agradecido aos capitães de Abril, ao Dr. Mário Soares e ao Manuel Alegre, mas temos democracia, felizmente, e é ao governo eleito que compete conduzir a política.

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