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O Livro da Consciência

A notícia que me chamou a atenção nos jornais de hoje foi o lançamento de O Livro da Consciência de António Damásio, através de um longo texto no Público. Damásio fala-nos da consciência humana usando uma linguagem de imagens mentais, mesmo para o pensamento abstracto. Também nos diz que consciência, com diferentes níveis, tem de existir noutras espécies. Para mim é mais natural falar de informação do que de imagens mentais, mas estou essencialmente de acordo com Damásio e só espero ter oportunidade de ler o livro para ver até que ponto ideias que venho desenvolvendo há anos encontram paralelo no pensar deste especialista.

Consciência, inteligência, pensamento abstracto, são designações diversas para o que julgo ser o processamento de informação no nosso cérebro. Penso que o cérebro humano evoluiu por um processo de selecção natural e que a evolução da inteligência acompanhou a do cérebro. Houve, no entanto, um ponto culminante que separou a evolução do cérebro humano da das outras espécies, que foi o início de passagem de informação através de imagens rupestres, primeiro, e da escrita, depois. Atrevo-me a pensar que o processo evolutivo não parou e que a informação disponível instantaneamente, através da internet, marca outro ponto singular no processo. O funcionamento da internet é uma mímica das sinapses entre neurónios, só que a uma escala planetária; é a isso que chamo Cérebro do Planeta.

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Os novos motores de busca

Já aqui escrevi que considero como factor diferenciador da espécie humana em relação às restantes o facto de ter conseguido passar informação entre gerações fora do código genético e da aprendizagem durante a fase de crescimento. Esta informação adicional começou por ter a forma pictórica para passar depois a informação escrita. Nos últimos tempos deu-se um salto na possibilidade de acesso a quantidades imensas de informação, de forma quase instantânea, através da internet.

Os processos mentais, por complexos e desconhecidos que sejam para nós, passam por ligações de neurónios, através das quais circulam impulsos eléctricos. Para mim existe uma semelhança muito grande com o estabelecimento de ligações na internet,Cérebro do planeta com passagem de informação através dessas ligações; é como se os neurónios fossem a internet do nosso cérebro. Agora os motores de busca, que já nos maravilhavam, estão a ponto de dar um salto para uma nova geração, passando a responder a perguntas em vez de apresentarem apenas uma lista de páginas para consultar. Os motores de busca passarão a consultar milhões de páginas para responder directamente às nossas perguntas. 

O raciocínio anterior tem uma consequência inevitável: está em formação uma inteligência de nível planetário e isso está a acontecer por um processo evolutivo natural. Esta evolução é impeditiva do livre arbítrio de cada um de nós? Penso que não; penso que contribuimos todos para essa inteligência planetária sem perdermos nenhuma parcela da nossa liberdade individual.

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O Cérebro do Planeta

Para mim é irresistível a ideia de que todas as espécies, incluindo a espécie humana, evoluíram por um processo de selecção natural a partir de espécies mais primitivas. Este processo deve ter determinado o que são as espécies actuais em todos os aspectos, nomeadamente na configuração e modo de funcionamento do cérebro, que é aquilo que mais me interessa aqui.

Penso que o desenvolvimento do cérebro deve ter sido determinado pela necessidade seja de passar informação entre gerações seja de processar uma quantidade cada vez maior de informação. O processo mais antigo de passagem de informação é, certamente, o código genético, no qual parece estar condensada toda a informação relativa à fisiologia dos indivíduos. Para além desta há informação básica de sobrevivência que umas gerações passam às seguintes, durante um período mais ou menos longo de aprendizagem, a qual é armazenada no cérebro. Porque os animais superiores necessitam de muito mais informação do que os animais mais simples, o seu cérebro é comparativamente maior, como é mais extenso o período de aprendizagem com os progenitores ou com a comunidade. Para além de armazenar mais dados, o cérebro dos animais superiores também foi chamado a processar uma quantidade cada vez maior de informação, o que também deve ter ditado o aumento do seu volume.

O que parece ter acontecido com a espécie humana foi que, a certa altura da evolução, foi capaz de se libertar das limitações impostas por um cérebro que tendia a ficar desproporcionadamente grande e por um período de aprendizagem que já ocupava uma parte substancial da vida. Isto foi conseguido através da colocação de informação em locais e sob formas que as gerações vindouras pudessem utilizar. Primeiro foram representações pictóricas, depois a escrita, os livros e as bibliotecas. As bibliotecas aparecem aqui como uma extensão do cérebro; como produto natural da evolução por selecção natural.

As bibliotecas funcionam como extensão da capacidade de armazenamento do cérebro mas não acrescentam nada à capacidade de processamento. Esta foi complementada recentemente com o advento de computadores, que foram também uma forma de ultrapassar as limitações do cérebro. Mais surpreendentemente, os computadores começaram a ficar ligados em redes, por sua vez interligadas, mimetizando as sinapses dos neurónios no cérebro. Todo este panorama configura, a meu ver, o desenvolvimento de um cérebro planetário, que não tem nada a ver com o Big Brother criado por George Orwell.planetbrain7

Este cérebro planetário desenvolve-se inexoravelmente, independente da vontade de cada um de nós, mas não creio que haja qualquer razão para recear que ele venha a cercear a liberdade individual. Com tentativas e erros, ele deverá evoluir no sentido de favorecer a sobrevivência do planeta como um todo.

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