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Éter dos tempos modernos

Este blog não se destina a comentários científicos mas não consigo evitar uma pequena referência à notícia que li no Público, “Criado maior mapa de sempre da matéria escura do Universo“, que começa assim: Os cientistas conseguiram produzir o maior e mais detalhado mapa da matéria escura do Universo, responsável pela maioria da matéria existente.

No século XIX os físicos debatiam-se com enormes dificuldades para explicar os fenómenos electromagnéticos e viam-se obrigados a postular a existência de algo, não propriamente uma substância, que permearia todo o espaço, a que chamaram éter electromagnético. Este éter teria propriedades extraordinárias, que não permitiam classificá-lo como substância e que chegavam, em certos casos a ser contraditórias, quer dizer, certas propriedades teriam que ser ligadas ou desligadas consoante as circunstâncias. Foi em 1864 que James Clerk Maxwell pôs ordem na casa, demonstrando que era possível, através de um conjunto de equações, explicar todos os fenómenos electromagnéticos sem recurso ao éter.

No século XXI postula-se um novo éter, também uma não substância, com propriedades irrealistas, para explicar observações astronómicas que os astrofísicos não conseguem, de facto explicar. Primeiro chamou-se a esta não substância “matéria escura” mas mais tarde foi necessário postular uma outra não substância, a que se chamou “energia escura”. Uma das características impressionantes destas “qualquer coisa escura” é que constituem 95% de tudo quanto há, estão por todo o lado, andamos através delas mas não as detectamos. Mas há outras propriedades, mais intrigantes ainda, que exigiriam uma exposição especilalizada.

Estou certo, com uma certeza que me vem de uma fé na ordem geral do Universo mas também de alguns indícios obtidos nos meus próprios estudos da física fundamental, que este novo éter cosmológico virá, um dia, a ser tornado obsoleto pro um conjunto de equações ao estilo das equações de Maxwell. Tenho alguma ideia de qual poderá ser a via para chegar às equações fundamentais da astrofísica, já escrevi alguns artigos sobre o assunto, mas não sou capaz de apresentar a solução definitiva; alguém o fará, um dia.

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Science, revista de prestígio?

O jornal Público traz uma notícia intitulada “E os prémios da má ciência vão para…” em que são relatados vários casos de resultados de investigação fraudulentos ou não consolidados, todos eles com a característica comum de terem sido publicados na revista Science, a revista científica de maior prestígio em todo o mundo. O prestígio desta revista é tal que há vários investigadores a colocar como fim último da sua investigação conseguirem publicar nela um ou mais artigos; não que abertamente o admitam, mas torna-se óbvio pelas suas atitudes.

As revistas científicas de prestígio procuram assegurar a qualidade do material publicado submetendo os artigos que lhes são enviados à apreciação de especialistas da área, chamados pares. Este sistema não é uma garantia de qualidade, como se verifica pelos exemplos da notícia do Público e por muitos outros, que não chegam sequer aos mass media. Para além disso o sistema é altamente conservador, porque os pares só podem apreciar aquilo que conhecem, o que tende a relegar as ideias realmente inovadoras para revistas que ninguém lê ou mesmo a não serem publicadas de todo.

Infelizmente é esta a situação das publicações científicas e não só; o financiamento de projectos segue uma via idêntica de apreciação, que é conservador e não garante a qualidade daquilo que é financiado.

Editado: Um dos casos noticiado não foi ainda publicado pela revista Science porque está em discussão se poderá servir a terroristas.

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Nobel da Física 2011

Acabam de ser anunciados os nomes dos galardoados com o Nobel da Física deste ano, três cosmólogos que descobriram a aceleração da expansão do Universo através da observação de supernovas distantes, são eles Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess. Os prémios Nobel são atribuídos a trabalhos experimentais, não a trabalhos teóricos, e no caso da cosmologia o conceito de experimentação tem que ser entendido de forma lata, por não ser um campo em que se possam fazer experiências laboratoriais.

O trabalho daqueles cientistas é meritório, embora tenha envolvido recursos ao alcance de muito poucos; por comparação, o prémio do ano passado foi atribuído à descoberta do grafeno, que estava ao alcance de qualquer um, uma vez que os meios usados foram pedaços de grafite e fita cola comum. Tenho um problema pessoal com a afirmação de que os laureados deste ano descobriram a aceleração da expansão do Universo, porque estou intimamente convencido de que as observações que fizeram terão, no futuro, uma explicação diferente.

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Estado de Pânico

Quando peguei neste livro não tinha outra expectativa que não fosse a de um romance de acção, inverosímil. daqueles que se lêem para passar o tempo e se esquecem a seguir; estava redondamente enganado. É certamente um romance cheio de acção e inverosímil q.b. mas o autor tem uma tese e usa o romance para defendê-la; as afirmações feitas pelos personagens principais são suportadas por referências bibliográficas que podem ser confirmadas pelo leitor, quer dizer, o romance é também um livro científico.

A tese de Michael Chricton é que a informação veiculada pelos media relativamente ao aquecimento global e alterações climáticas é manipulada e enviesada, de forma a criar nos leitores um sentimento de medo que não é suportado pelos dados científicos. O autor não advoga a ideia de que tudo é permitido, porque o ambiente tratará de se adaptar a tudo o que o homem se lembrar de fazer na Terra, mas quer que se fale verdade e que se tirem apenas as conclusões que os dados permitem, evitando apresentar resultados de especulações e simulações como se fossem resultados científicos irrefutáveis. Esta manipulação e enviesamento de dados já foi por mim referida aqui, no artigo O Mundo está a aquecer? onde manifestei o meu cepticismo relativamente à capacidade do homem para alterar significativamente o clima.

Michael Chricton também se insurge contra a manipulação da ciência e dos cientistas pela política o que, em última análise, resulta da necessidade que os investigadores têm de lutar por financiamentos. Os resultados da politização da ciência são sempre desastrosos e são apresentados no livro dois exemplos flagrantes; neste blog também já escrevi sobre isso a propósito do livro A Falsa Medida do Homem, que mostra bem como o chamado Quociente de Inteligência (QI) tem servido os interesses das classes dominantes.

O enredo baseia-se na ideia do terrorismo ambiental, catástrofes ambientais desencadeadas voluntariamente por uma organização ambientalista que necessita desesperadamente de fundos para os gastos da sua estrutura cada vez mais pesada. O livro pode ser lido apenas pelo enredo e será apenas mais um romance, mas pode ser lido como a tese, que é, e nesse caso é verdadeiramente recomendável.

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Diminuir a barriga com chá verde

As virtudes do chá verde têm sido proclamadas de várias formas mas esta virtude de diminuir a barriga era desconhecida. Parece que, bebendo chá verde em lugar de água se engorda menos e, mais importante, a gordura não se concentra na barriga. O estudo foi feito na universidade do Porto, com ratinhos, durante um ano, e concluiu-se que os que beberam chá verde estavam de melhor saúde do que os que beberam água. Infelizmente não houve um grupo de controlo a beber cerveja, que poderia ter um maior paralelismo com os humanos barrigudos.

Este estudo é um óptimo candidato ao prémio ignóbil deste ano!

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Submarino Luso está de volta

O submarino não tripulado Luso tinha-se afundado ao largo das Ilhas Selvagens, quando o cabo que o liga ao navio se desprendeu por razões ainda não identificadas. Depois de resgatado por outro submarino não tripulado, norueguês, foi submetido a testes e parece estar em condições de prosseguir a sua missão de estudo da plataforma continental, na região do arquipélago da Madeira.

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Novas fotos do Universo

Imagem micro-ondas do céu completo. Crédito: ESA, HFI e Consórcio LFI.

A sonda Planck começou a enviar as primeiras imagens do Universo e espera-se que, lá para os finais de 2012, tenha enviado dados suficientes para esclarecer algumas questões relativas à origem do Universo. A hipótese mais popular postula uma fase de inflação, uma enorme expansão numa fracção de tempo infinitesimal, mas nem todos os cosmólogos estão satisfeitos com esta ideia; mesmo os que a advogam, e são a maioria, não sabem explicar porque é que a inflação aconteceu. É muito possível que a Planck venha a colocar mais questões do que respostas, entretanto podemos deliciar-nos com as imagens.

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