Tag Archives: direitos humanos

Direito à greve está ultrapassado

O direito à greve está consagrado na lei portuguesa, como na lei da maior parte dos países ocidentais, mas atrevo-me a dizer que é um direito ultrapassado, que não faz sentido nos dias de hoje. O direito à greve apareceu por altura da revolução industrial, como forma de os operários fazerem valer os seus direitos contra patrões todo-poderosos, que fechavam as fábricas (lock out) quando sentiam resistência dos trabalhadores às suas ordens e disposições. Fazer greve passou a ser a forma que os operários encontraram para prejudicar os patrões, obrigando-os a levar em conta os seus interesses. A grave não se destinava, nesses tempos, a prejudicar as populações.

Hoje as coisas são diferentes e as greves são convocadas apenas pelas classes profissionais que têm grande interacção com a população e são agendadas para as alturas em que podem provocar maior prejuízo. As greves de hoje não são convocadas contra os patrões, são convocadas contra a população em geral, para causar prejuízo ao grande patrão que é o Estado. O direito à greve é um direito muito mal distribuído, porque para a grande maioria das classes profissionais o uso desse direito é completamente ineficaz; para a maioria dos profissionais nada resulta de fazer greve. Hoje estou reformado mas nunca fiz greve durante toda a minha vida profissional e sinto revolta quando sou vítima de uma greve.

Escrevi isto a propósito da anunciada greve dos polícias.

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Quando o aluno é indisciplinado

As direcções das escolas não sabem, ou não podem, lidar com alunos indisciplinados. A notícia que apareceu hoje, relativa a um aluno da Escola Secundária de Vila Nova de Paiva, que é regularmente fechado numa sala, sozinho, como punição para a sua indisciplina, veio mostrar como estão de mãos atadas as direcções das escolas.

Que é desumano fechar uma criança numa sala, é; mas a alternativa é permitir que o aluno perturbe constantemente o funcionamento das aulas, porque a direcção da escola não dispõe de meios para impor a disciplina. Pode pensar-se que existem outras formas de punição mas, se o aluno for do tipo que diz “não faço” a qualquer ordem que lhe dêem, a direcção da escola fica sem saber o que fazer.

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Crianças perdidas no império

Por vezes somos confrontados com notícias de crueldades perpretadas por governos e organizações de “estados civilizados”, numa escala tal que desafia a credulidade de qualquer pessoa. Penso que ainda nunca tinha lido que, entre 1920 e 1967, o Governo Britânico, com a colaboração de organizações de caridade e mesmo da Igreja Católica, exportou para o Canadá, Austrália e outros países da Comunidade Britânica, cerca de 150000 (cento e cinquenta mil) crianças que se encontravam em instituições de acolhimento; às crianças disse que os pais tinha morrido e aos pais não disse nada. Alegadamente as crianças iriam ter uma vida muito melhor nos países para onde foram mandadas, mas, na realidade, foram esquecidas e tornaram-se vítimas de exploração e de todos os tipos de abusos.

Austrália: Primeiro-ministro pede desculpas pelos milhares de crianças “esquecidas” Público,

Forgotten Australians’ and ‘Lost Innocents’: child migrants and children in institutional care in Australia Parliament of Australia,

The shameful secret of Britain’s lost children The Independent.

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Portugal à frente em políticas de imigração

Segundo um estudo recente da ONU, Portugal lidera as políticas de imigração em todo o mundo. O estudo diz respeito a legislação e ao acesso dos imigrantes aos benefícios sociais disponíveis para os nacionais, quer dizer, diz respeito à não discriminação dos imigrantes face aos nacionais. O estudo não analisa a aplicação prática da legislação e não permite apreciar em que medida, na prática, os imigrantes são ou não discriminados nos vários países.

Eu tenho um orgulho muito grande em ser português, orgulho que fica naturalmente inchado quando Portugal aparece bem classificado numa comparação internacional. Neste aspecto divirjo da maioria dos meus concidadãos que, de acordo com outro estudo, têm reduzida auto-estima.

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Cisnes Selvagens

cisnes selvagensCisnes Selvagens – Três filhas da China é a história da China do século XX, contada na primeira pessoa, utilizando as vidas da autora, Jung Chang, e das suas mãe e avó. Percebe-se como Mao e o comunismo se implantaram facilmente, aparecendo como libertadores dos poderes imperiais e trazendo aos mais desfavorecidos uma melhoria considerável nas suas vidas. Percebe-se também como gradualmente Mao se foi tornando num ditador endeusado, cuja prepotência trouxe sofrimento e morte a dezenas de milhões de chineses.

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Os países pobres são mais generosos

ANTONIO GUTERRESA entrevista de António Guterres ao Público é um documento muito importante e completo sobre a situação actual dos refugiados no mundo. Não é possível resumir essa entrevista; há que lê-la toda. O título que escolhi refere-se à constatação que Guterres faz de que os países pobres estão mais abertos para tentar resolver a situação dos refugiados do que os países ricos, embora não disponham de recursos.

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Portugueses descontentes com a democracia

justica
Um estudo da SEDES revela que os portugueses não confiam na justiça nem nos políticos, com excepção do Presidente da República. Para além disso, os portugueses estão também muito insatisfeitos com o funcionamento da democracia e com a própria democracia. É neste último ponto que divirjo da opinião geral, porque penso que “a democracia é o pior sistema político, tirando todos os outros”. É que, se a democracia é má a ausência dela é pior. Mas a memória é curta; a das pessoas e a dos povos.

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