Tag Archives: economia

Paul Krugman desiludiu a oposição

A vinda de Paul Krugman a Lisboa era esperada ansiosamente pela oposição porque se trata de um economista de renome que se tem manifestado contra o excesso de austeridade. Acontece que o Governo fez o seu trabalho e reuniu-se com Krugman antes de este aparecer em público e, seja o que for que se tenha passado nesses encontros, a verdade é que aquele economista apareceu a afirmar que “não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito em Porugal” e que as verdadeiras opções são tomadas em Berlim. Balde de água fria para a oposição!

Deixe um comentário

Filed under sociedade

Ricos e trabalhadores

A afirmação recente de Américo Amorim “eu não sou rico, sou trabalhador…”, para além da óbvia intenção de esquivar-se a uma hipotética tributação excepcional dos mais ricos para ajudar a combater as actuais dificuldades do país, invoca uma dicotomia totalmente falsa. Naturalmente que ser rico não significa que não se trabalhou e trabalha para isso como, inversamente, não fazer nada também não implica que se seja rico.

Há uma deturpação do significado da palavra trabalhador, muito por culpa dos sindicatos e da sua obsessão pela luta de classes, que tornou aquela palavra quase sinónimo de assalariado; da mesma forma, patrão é associado a rico e explorador. Todos nos entenderíamos muito melhor se déssemos a todos estes termos os seus significados originais, se deixássemos de ver os interesses de patrões como inevitavelmente opostos aos dos assalariados e considerar que toda a riqueza provém da exploração dos empregados ou de actividades ilegais.

Mas sejamos claros; existe em Portugal uma diferença de rendimentos entre aqueles que mais têm e os que passam os dias a contar os tostões que é gritante e deve ser corrigida pela via fiscal. Usar termos ambíguos e inventar conflitos não ajuda a resolver o problema.

Deixe um comentário

Filed under sociedade

Mais do que o PEC 4

Hoje tenho que reconhecer que o acordo com o FEEF é bastante mais do que estava previsto no PEC 4, sobretudo pelas reformas que impõe ao Estado e não tanto porque as medidas de austeridade para a população sejam mais graves. Destaco a obrigação de reforma da justiça em dois anos, reduzindo substancialmente a duração dos processos, porque estou convencido de que as demoras da nossa justiça são o maior cancro da nossa sociedade.
Já ouvi um juiz afirmar que só se pode comprometer a fazer esta reforma em dois anos quem não conhece a forma como funciona o nosso sistema judicial; não tem razão. Primeiro porque o nosso sistema judicial pura e simplesmente não funciona, portanto está errada a premissa do raciocínio, depois porque se a vinda do empréstimo estiver dependente da reforma ela terá mesmo de fazer-se.

2 comentários

Filed under sociedade

Descubra as diferenças

Descubra as diferenças entre o PEC 4 e o acordo com o FEEF. Não se sabendo ainda exactamente os detalhes do acordo, tudo parece indicar que as diferenças entre os dois pacotes são pequenas, excepção feita à dilatação do prazo de redução do défice. Quem sai a ganhar com isto? Espero que seja o país mas, em termos individuais, parece-me que o claro vencedor é José Sócrates. As figuras caricatas da noite são, no entanto, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, o primeiro a fazer o frete ao lado do Primeiro Ministro e o segundo parecendo um naufrago a gritar “Eh! Não se esqueçam de mim!”.
Parece-me cada vez mais provável que Sócrates seja o vencedor das próximas eleições, isto apesar de não ter nenhuma simpatia pessoal pelo indivíduo. De qualquer modo, seja ele ou Passos Coelho, o que desejo é que o vencedor tenha condições para formar um governo de maioria.

Deixe um comentário

Filed under sociedade

Entender as contas do Estado

Os números das contas do Estado para Janeiro são lidos de maneira diferente pelo Governo e oposição; onde os primeiros só vêm motivos de regozijo, os últimos vêm motivos de apreensão; e nós? O défice reduziu-se 31%, só pode ser bom! Parece que não porque, lembra a oposição, a despesa subiu 0,9%, pelo que a redução do défice foi conseguida à custa dos contribuintes; é mau! Mas será mesmo? É que em Janeiro de 2010 estávamos em regime de duodécimos, o que “reduz artificialmente a despesa desse mês”; em termos comparáveis a despesa reduziu-se 2,6%. É bom!

Raios! Em que ficamos? Estamos no bom caminho para sair da crise ou não?

Deixe um comentário

Filed under sociedade

Estudo do Diário de Notícias

Hoje, contrariamente aos hábitos, comprei o Diário de Notícias para ler as 12 páginas do primeiro capítulo da grande investigação “O Estado do Estado”, que este jornal vai publicar durante uma semana. Já li e fiquei deprimido, porque sabia que isto estava tudo mal mas vê-lo assim escarrapachado não podia ter outro resultado senão deprimir; como penso continuar a ler o estudo tenho que me preparar para uma semana de depressão.

Deixe um comentário

Filed under sociedade

Galiza afasta-se do norte de Portugal

A Galiza não está a ficar mais longe do Minho. De facto, com as auto-estradas actuais, de ambos os lados da fronteira, é hoje muito fácil transitar entre as principais cidades das duas regiões. A fronteira entre Portugal e Espanha é quase imperceptível quando se viaja de automóvel; é claro que é preciso atravessar o rio Minho por uma das quatro travessias existentes mas nada, para além da placa azul ao lado da estrada, nos mostra que passámos de um país para outro.

A paisagem rural é muito semelhante dos dois lados, bem como são semelhantes as pessoas e a língua, mas as estatísticas não mentem e o rendimento per capita dos galegos tem aumentado de forma mais sustentada do que o dos minhotos e do lado de lá da fronteira há mais indústria. Estas conclusões retiram-se do anuário produzido pelos Observatório das Dinâmicas Regionais da Comissão de Coordenação da Região Norte e pelo Instituto Estatístico da Galiza (IEG). Ler a notícia completa no Público.

Deixe um comentário

Filed under sociedade