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Resultados dos testes PISA

No relatório da OCDE relativo aos testes PISA de 2009 verifica-se uma subida apreciável da literacia dos jovens portugueses relativamente ao teste anterior, de 2006. Naturalmente que estes resultados foram aproveitados politicamente pelo Governo para reivindicar a justeza as medidas que tem tomado no domínio da educação. Por outro lado houve quem começasse a duvidar da qualidade da amostra, levantando a suspeita de que o Governo poderia ter influenciado a sua constituição, enviesando-a no sentido de obter resultados mais positivos.

A OCDE assegura que tanto a escolha das escolas que participaram como a dos alunos foi feita de forma aleatória, respeitando critérios estatísticos de representatividade, que nem o Governo interferiu na escolha das escolas nem estas na escolha dos alunos; porquê duvidar? A verdade é que os professores sentem que os conhecimentos dos alunos andam muito abaixo do desejável e se Portugal aparece agora na média dos países da OCDE isso só pode significar que a situação é confrangedora por todo o lado, ou quase.

O relatório da OCDE é muito extenso e só está disponível na totalidade mediante pagamento mas há muito material que pode ser consultado aqui. Do press release podem extrair-se alguns excertos que se referem a Portugal, nmeadamente

Some OECD countries saw strong gains in reading literacy, most notably Chile, Israel and Poland, but also Portugal, Korea, Hungary and Germany. In mathematics, Mexico, Turkey, Greece, Portugal, Italy and Germany saw rapid improvements. In science, Turkey, Portugal, Korea, Italy, Norway, the US and Poland showed the biggest improvements.

Acreditar que o Governo tem um braço suficientemente comprido para influenciar estes resultados é levar a teoria da conspiração longe demais.

Ler no Público.

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Professores aprendem a gerir conflitos

É um projecto piloto, que envolve 225 professores de várias escolas, preparando-os para prevenir e gerir os conflitos e indisciplina que se generalizaram nas Escolas. Diz o coordenador do projecto, João Amado: Desde que comecei a trabalhar nesta área, no início dos anos 90, a indisciplina (entendida num sentido lato) não só aumentou como se generalizou. Hoje não se confina a uma ou outra escola dita problemática e tem, na maior parte das vezes, raízes nas famílias dos alunos, umas vezes por estas serem desestruturadas, outras porque são cada vez mais permissivas e menos capazes de incutir regras nas crianças.

Por várias razões a família deixou de funcionar e à Escola exige-se que, muito mais do que complementar a acção familiar, se substitua à família. Esta constatação já seria bastante grave por si só, mas é agravada pelo facto de terem sido retirados aos professores os meios eficazes para manter a disciplina.

Ler mais no Público.

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Cartões nas escolas são ilegais.

Os cartões electrónicos para os alunos encontram-se presentemente disseminados pela grande maioria das escolas e podem servir apenas como meio de pagamento ou permitir aos encarregados de educação exercer um controlo apertado sobre as actividades dos seus educandos. Segundo a Autoridade Nacional para a Protecção de Dados a situação é ilegal, porque aquela entidade não foi consultada, mas não pretende actuar até que haja uma queixa.

No Público diz-se:

Para Helena Marujo, professora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, o problema é mais complexo. “As transgressões são importantes no processo de aprendizagem e corre-se aqui o risco de deixar de haver espaço para a privacidade e para o não cumprimento das regras, que também faz parte do desenvolvimento das crianças e dos jovens”, declara aquela docente, para quem o recurso a estas tecnologias devia ter sido precedido de “uma discussão prévia entre os pais, professores e os próprios alunos”.

“No mínimo, as escolas deviam acompanhar a adopção destas tecnologias de alguma formação aos encarregados de educação”, porque há o risco de estas retirarem aos miúdos “a capacidade de auto-regulação”.

Compete aos encarregados de educação decidir até que ponto devem saber de e controlar as actividades dos seus educandos e o alheamento face a essa responsabilidade, que se verifica há muitos anos, tem contribuído para o agravar da situação em que se encontram muitos dos jovens de hoje. É claro que noutros tempos os pais e educadores não dispunham de meios tecnológicos de controlo mas as escolas tinham regimes de disciplina e policiamento que quase desapareceram, quer por serem ditos pedagogicamente incorrectos quer por serem caros, e caiu-se num vazio que levou ao caos actual. Os cartões são bem-vindos, na medida em que restituem aos educadores uma responsabilidade que lhes cabe.

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Novo/velho estatuto do aluno

Ontem foi aprovado na Assembleia da República o “Novo Estatuto do Aluno” que, na maior parte das suas disposições, repõe os procedimentos que eram usuais antes da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, de má memória. Passa a haver distinção entre faltas justificadas e injustificadas, passa a haver retenção (chumbo) por excesso de faltas, são criadas várias medidas punitivas, indo até à expulsão mas, mais que tudo, o professor pode expulsar o aluno da aula e marcar-lhe falta, sem necessidade de um processo disciplinar.

Poderão não ser alterações suficientes para repor a autoridade do professor na aula mas são um grande passo para desfazer todo o mal que foi feito durante o último governo.

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Mega agrupamentos de escolas

Novo site do blog: www.b-d-a.biz

A medida que o Governo pretende implementar, de criar agrupamentos de escolas de grande dimensão, já foi testada noutros países, aparentemente com maus resultados porque estes países estão agora a voltar atrás. Em Nova Iorque vão ser fechadas 20 grandes escolas para serem substituídas por 200 de menor dimensão, com um limite de 400 alunos. Parece ser generalizada a ideia de que as escolas de muito grande dimensão são menos humanas e afastam os professores dos alunos, por isso será bom parar para pensar, antes de avançar para os mega agrupamentos.

Ler no Público.

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Quando o aluno é indisciplinado

As direcções das escolas não sabem, ou não podem, lidar com alunos indisciplinados. A notícia que apareceu hoje, relativa a um aluno da Escola Secundária de Vila Nova de Paiva, que é regularmente fechado numa sala, sozinho, como punição para a sua indisciplina, veio mostrar como estão de mãos atadas as direcções das escolas.

Que é desumano fechar uma criança numa sala, é; mas a alternativa é permitir que o aluno perturbe constantemente o funcionamento das aulas, porque a direcção da escola não dispõe de meios para impor a disciplina. Pode pensar-se que existem outras formas de punição mas, se o aluno for do tipo que diz “não faço” a qualquer ordem que lhe dêem, a direcção da escola fica sem saber o que fazer.

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Bullying

Os incidentes de violência entre jovens, sobretudo nas escolas, são agora designados por bullying, porquê? Ninguém sabe rigorosamente o que significa a palavra, que tem na sua origem bull e que poderia traduzir-se, de forma livre, como tourear. Há uma espécie de vergonha de dizer que os jovens são violentos e esconde-se a referência a essa violência com uma palavra estrangeira, porque assim a vergonha é menor.

Os jovens são naturalmente violentos, sobretudo quando em grupo. A violência é exercida contra os mais fracos e estes, por sua vez, não se queixam, porque a queixa os rebaixa face aos colegas. As normas de comportamento social, o respeito para com todos, nomeadamente os mais fracos, não é inato e tem que ser aprendido. O fenómeno de violência entre jovens não é de hoje nem está em aumento, mas exige uma atenção cuidada e permanente por parte das autoridades escolares.

Ler no Publico.

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