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Teste de Física?

No teste intermédio de Físico-Química do 11º ano, realizado no passado dia 11, encontrava-se a seguinte questão:

Durante algum tempo o magnetismo e a electricidade ignoraram-se mutuamente. Foi só no início do século XIX que um dinamarquês, Hans Christian Oersted, reparou que uma agulha magnética sofria um desvio quando colocada perto de um circuito eléctrico, à semelhança do que acontecia quando estava perto de um íman. Existia pois uma relação entre electricidade e magnetismo.

C. Fiolhais, Física Divertida, Gradiva, 1991 (adaptado)

1. Transcreva a parte do texto que refere o que Oersted observou.

Esta questão, colocada a alunos do 11º ano, é um teste de Física ou de imbecilidade?

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Aprender nem sempre é um jogo

A ideia de que o ensino tem que ser divertido vulgarizou-se de tal maneira que, hoje em dia, há queixas generalizadas dos docentes de todas as universidades, de Norte a Sul do país, relativamente à falta de preparação dos alunos que recebem do ensino secundário. Na Matemática exige-se que os alunos sejam capazes de fazer raciocínio abstracto e este começa pela capacidade de fazer cálculo mental; o uso de calculadoras desde a instrução primária suprime a necessidade de raciocínio e elimina uma preparação que é fundamental para fases posteriores.

Pode pensar-se que esta deficiência de raciocínio abstracto só prejudica aqueles se encontrem em áreas de Matemática, Física ou Engenharias, mas a verdade é que o raciocínio abstracto é importante, mesmo para fazer uma redacção em Português, por isso a falta deste treino é sempre uma limitação importante.

Ler um artigo extenso no Público.

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Contrato vergonhoso

O Governo assinou um contrato com as universidades e politécnicos, que prevê um financiamento extra de 100 milhões de euros no corrente ano, provavelmente também nos anos seguintes, para que haja mais 100 mil diplomados no ensino superior nos próximos quatro anos.

Punhamos as coisas em perspectiva. Todos os anos saem do ensino superior cerca de 66 mil diplomados e pretende-se aumentar este número em 25 mil. Por outro lado, o número de vagas abertas para novos alunos é excedentário relativamente à oferta e todos os anos sobram vagas. Além disso, as licenciaturas têm, em geral, uma duração de 3 anos, pelo que alunos admitidos agora só teriam reflexo no número de licenciados no quarto ano de vigência do contrato, isto na melhor das hipóteses. Então como é que os estabelecimentos de ensino vão cumprir o contrato?

Segundo a notícia, os cursos de especialização tecnológica (CET), as formações para os maiores de 23 (M23) e o ensino à distância são os instrumentos que as instituições vão ter que desenvolver, quer dizer, são as “Novas Oportunidades” transportadas para o ensino superior e não tenhamos dúvidas de que vão ter um sucesso idêntico às suas congéneres do ensino secundário. Mas isso não chega; as universidades e politécnicos vão ter que diplomar todos aqueles alunos repetentes que se encontram inscritos mas não progridem nos estudos. Para consegui-lo vai ter que ser implementado um sistema de avaliação de docentes que premeie aqueles que passam os seus alunos.

Se o mercado de emprego já se queixa da baixa qualidade dos licenciados actuais, se há tanto desemprego entre recém-licenciados, imagine-se o que vai ser com mais 30% de licenciados de baixa qualidade todos os anos.

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O dilema de Isabel Alçada

Isabel-AlcadaA nova Ministra da Educação tem pela frente uma tarefa complicada mas o seu currículo permite supor que talvez seja a pessoa certa para o lugar nesta altura. Que me lembre nunca houve um ministro da educação que tivesse experiência de docência no ensino secundário; Isabel Alçada tem-na e, para além disso, foi delegada sindical, o que lhe dá uma outra experiência relevante.

O problema agora é que o governo não pode abdicar do seu método de avaliação dos docentes e as organizações de professores não podem recuar na sua exigência de suspensão do processo de avaliação antes da sua substituição por um outro. Nestes casos é importante que ambas as partes possam salvar a face num processo negocial; para isso exige-se, acho eu, que ministério e sindicatos consigam acordar num procedimento que permita ao primeiro dizer que está a fazer um aperfeiçoamento do processo, enquanto os sindicatos afirmarão que se trata de um novo método de avaliação.

Extremadas como estão as posições não é fácil conseguir encontrar uma posição de compromisso mas ela é indispensável para que haja pacificação no ensino e os professores voltem a ocupar-se com ensinar.

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Portugueses entre os que menos falam segunda língua

Se uma grande parte dos portugueses não sabe falar a sua própria língua, é pouco de admirar que não saibam falar uma segunda língua. No entanto eu tinha uma impressão subjectiva diferente em relação ao que se passa noutros países e fiquei surpreendido com o resultado de uma sondagem feita pelo Eurostat, que revela que, para os adultos entre 25 e os 64 anos, só a Hungria fica atrás de nós, entre os países da União Europeia. Antes de saber estes resultados eu diria que ingleses e irlandeses seriam os menos capazes de se expressar noutra língua que não a deles.

Desde há muitos anos que todos os jovens que passam pelo ensino secundário têm que estudar duas línguas estrangeiras. No meu tempo de estudante do liceu estudava-se Francês durante 5 anos e Inglês durante 3 anos e, habitualmente, ficava-se a falar ambas as línguas. A minha experiência pessoal é que, muitos anos depois, tive que exibir os meus conhecimentos de inglês no Consulado Britânico, para obter autorização para ir fazer doutoramento em Oxford; com não mais do que os conhecimentos do ensino secundário, fiz provas de expressão escrita e oral e obtive A em ambas. Parece que hoje em dia o ensino de línguas é menos eficiente, como parece que é menos eficiente todo o ensino, mas acho algo surpreendente que mais de 50% dos adultos declarem não falar segunda língua.

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A associação EPIS

selolar_vertDescobri a associação EPIS através deste artigo do Público: Projecto português de combate ao insucesso escolar apresentado em Nova Iorque. Fui procurar o site da associação e descobri que EPIS significa Empresários pela Inclusão Social.

A associação foi criada em 2007 por uma série de empresários de renome, em resposta a um desafio do Presidente da República, tem um conselho científico constituído por professores das várias universidades portuguesas e a sua acção principal consiste em colocar mediadores em escolas, junto de alunos com dificuldades, para melhorar o desempenho escolar desses alunos. A associação tem também uma acção tendente a melhorar a gestão das escolas. Para conhecer melhor visite o site da EPIS.

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Planos de contingência nas escolas

Na abertura das aulas as escolas estão bem equipadas de planos de contingência e esse é, provavelmente, o problema; os planos são demasiado detalhados e inexequíveis. Quem acha possível que os alunos vão, ordeiramente, desinfectar as mãos à entrada e saída das aulas?Quem espera que os toalhetes de papel vão estar ali disponíveis em vez de começarem a aparecer espalhados pelo chão? Quem se surpreende se o desinfectante começar a ser usado em brincadeiras e que os alunos se comecem a “desinfectar” mutuamente? E para professores e funcionários, como se vai conciliar as novas tarefas com carga de trabalho que normalmente já têm.

Por serem demasiado exigentes e detalhados, demasiado “perfeitos”, os planos vão cair em rápido descrédito e vão ser esquecidos ao fim de pouco tempo. Ler mais aqui.

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