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Greve dos camionistas

A expressão “greve dos camionistas” é um abuso de linguagem porque, rigorosamente, o termo greve não se aplica a patrões e neste caso são mesmo os patrões das empresas de transporte que resolveram parar. Contudo passemos por cima da questão semântica e vamos ao que interessa.
Os camionistas têm todo o direito de resolver não trabalhar, o negócio é deles, trabalham ou não trabalham quando querem; o que não têm direito é de apedrejar os colegas que resolvem continuar na sua actividade ou mesmo de bloquear a passagem em piquetes de greve.
Aqueles que resolveram parar não querem ver a sua iniciativa prejudicada por outros que entendem não seguir o mesmo caminho, o que se compreende mas não legitima atitudes de força. Custa a perceber, aliás, porque é que as razões que levam uns a dizer que o negócio perdeu rentabilidade, nas condições actuais, não se aplica a todos, havendo aqueles que acham que vale a pena continuar a trabalhar, apesar de tudo.

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Para que serviu a greve?

A greve geral de ontem serviu para quê, independentemente de ter ou não sido um sucesso? Segundo os dirigentes sindicais, esta greve “Vai ter efeitos no imediato e no futuro” mas é difícil perceber quais serão esses efeitos. A política deste Governo não vai mudar e o Governo não vai cair nos próximos meses; ele cairá, provavelmente, na altura em que a constituição permitir a convocação de eleições, mas isso não será um efeito desta greve.

Os efeitos práticos da greve são, primeiro e acima de tudo, o marcar da agenda política por parte dos sindicatos e dos seus dirigentes, que precisam destes eventos para manter a popularidade. Também foi um dia de descanso, caro, aliás, para um grande número de funcionários públicos; sim, porque o país não parou, o que significa que a greve não teve expressão no sector privado. Do lado menos dos efeitos ficam os transtornos para quem tinha que se deslocar ou receber cuidados de saúde.

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Direito à greve está ultrapassado

O direito à greve está consagrado na lei portuguesa, como na lei da maior parte dos países ocidentais, mas atrevo-me a dizer que é um direito ultrapassado, que não faz sentido nos dias de hoje. O direito à greve apareceu por altura da revolução industrial, como forma de os operários fazerem valer os seus direitos contra patrões todo-poderosos, que fechavam as fábricas (lock out) quando sentiam resistência dos trabalhadores às suas ordens e disposições. Fazer greve passou a ser a forma que os operários encontraram para prejudicar os patrões, obrigando-os a levar em conta os seus interesses. A grave não se destinava, nesses tempos, a prejudicar as populações.

Hoje as coisas são diferentes e as greves são convocadas apenas pelas classes profissionais que têm grande interacção com a população e são agendadas para as alturas em que podem provocar maior prejuízo. As greves de hoje não são convocadas contra os patrões, são convocadas contra a população em geral, para causar prejuízo ao grande patrão que é o Estado. O direito à greve é um direito muito mal distribuído, porque para a grande maioria das classes profissionais o uso desse direito é completamente ineficaz; para a maioria dos profissionais nada resulta de fazer greve. Hoje estou reformado mas nunca fiz greve durante toda a minha vida profissional e sinto revolta quando sou vítima de uma greve.

Escrevi isto a propósito da anunciada greve dos polícias.

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Direito à greve

O direito à greve é um direito estranho; não tenho dúvidas de que é um direito, porque a lei assim o estabelece, mas tenho muitas dúvidas de que a lei esteja bem feita. O direito à greve apareceu, na Grã Bretanha, historicamente, como a possibilidade de os operários se oporem aos patrões, que podiam fechar as fábricas quando muito bem lhes apetecia (lock out). A greve dos operário destinava-se a causar prejuízo directo aos patrões, não à sociedade em geral.

Acontece que a economia mudou muito desde então e as greves de sucesso fazem-se hoje nos sectores que mais afectam toda a população e contra o governo; uma greve numa fábrica passa quase despercebida face a uma greve dos transportes. Parece ter já passado o tempo em que a greve de uns impedia todos de trabalhar, porque era inadmissível ser fura-greves; felizmente que isso já é raro. Hoje fala-se também em greve por iniciativa dos patrões; os donos das empresas de transporte propõem-se fazer greve contra o governo, se calhar colocando os seus camiões em marcha lenta nas estradas e entradas da capital.

Na situação actual do país, todas as perturbações da economia levam os mercados internacionais a subir os juros da dívida e, em última análise, acarretam prejuízos também para aqueles que fazem greve. Os benefícios obtidos com greves, na situação presente, são ilusórios e passageiros. Vejo, com grande apreensão, a onda de perturbações que parece avizinhar-se.

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