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Opus Dei


O título completo deste livro de John L. Allen Jr. é Opus Dei. Um olhar objectivo para lá dos mitos e da realidade da mais controversa força da Igreja Católica. O autor afirma-se um investigador imparcial, sem quaisquer ligações ao Opus Dei e diz que lhe foi facultado o acesso a todas as pessoas e documentos que solicitou; li o livro com interesse, para me informar sobre uma instituição relativamente à qual, devo admiti-lo, tenho um grande preconceito de rejeição.

O meu preconceito assenta em informações avulsas, cuja fiabilidade nem sempre foi possível determinar, mas também em depoimentos de ex-membros, particularmente o de Maria Del Carmen Tapia, cujo livro Do Lado de Dentro li há alguns anos. A opinião de um observador imparcial, se este nos merece confiança, pode ser mais valiosa do que a daqueles que se afastaram em conflito com a instituição; o livro debruça-se, aliás, sobre casos de ex-membros, nomeadamente o de Maria Del Carmen.

Chegado ao fim do livro, a minha perplexidade relativamente a esta instituição não desapareceu nem foi totalmente eliminado o meu preconceito, mas sinto-me mais informado e convencido de que, pelo menos estatutariamente, se trata de uma instituição de bem, que propõe a santificação do trabalho diário como método de oração. O exame que o autor faz das críticas mais habituais não as desmonta mas deixa a possibilidade de que haja excesso de zelo de alguns membros; não é suficiente para ficar sossegado, embora permita começar a olhar a Opus Dei de uma perspectiva diferente.

Em resumo direi que vale sempre a pena documentarmo-nos sobre questões que nos levantam dúvidas e este livro é um bom documento relativamente a uma instituição relativamente à qual não existem muitos que sejam fiáveis.

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Igreja com telhados de vidro

A notícia vem no Público e é mais uma a acrescentar à embrulhada que tem sido a atitude da hierarquia da Igreja Católica em relação aos casos de padres pedófilos. Foi agora revelada uma carta enviada aos bispos irlandeses, em 1997, em que o Vaticano expressa “fortes reservas” em relação à directiva que tinham aprovado no ano anterior e que tornava obrigatória a denúncia às autoridades dos padres suspeitos de abusos sexuais. Em relação à revelação desta carta, o padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, confirmou já a autenticidade do documento, mas afirma que ele representa apenas a posição particular de uma das partes da Cúria antes de 2001.

Acredito que o Vaticano tenha hoje uma posição muito mais intransigente relativamente aos abusos sexuais perpetrados por clérigos mas os sucessivos episódios que têm vindo a público, que se desenrolaram durante décadas, não têm sido divulgados por iniciativa da Igreja; esta só reaje a posteriori, quando a isso é forçada pelos meios de comunicação social. A Igreja prefere ter uma atitude corporativa, defendendo o seu prestígio e o dos seus membros mesmo quando estes actuam em contradição com os princípios morais que ela própria defende.

A situação não é nova e temo que nada se tenha aprendido porque se os erros do passado servissem de lição para o futuro deveriam bastar os episódios vergonhosos do tempo da inquisição para se saber que a coerência de princípios prevalece sobre quaisquer outros interesses.

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Mais disparates

No jornal ionline aparece uma notícia com o título Vaticano esclarece: “Padres gays” são responsáveis pela maioria dos abusos, cujo conteúdo é praticamente idêntico ao da notícia publicada no Google Vaticano se distancia de declarações ligando pedofilia à homossexualidade. Nestas notícias transcrevem-se declarações do porta voz do Vaticano, Federico Lombardi, a propósito das afirmações desastradas do secretário de estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, ligando a pedofilia à homossexualidade. Nas notícias refere-se também um estudo da Congregação para a Doutrina da Fé que, infelizmente, não consegui obter; fico assim limitado às transcrições que são feitas nas notícias e são essas que pretendo comentar.

A primeira transcrição diz que “apenas cerca de 10% dos casos de abusos são actos de pedofilia; os restantes 90% revelam a atracção entre adultos e adolescentes”. Desses, “60% envolvem indivíduos do mesmo sexo e 30% são de carácter heterossexual”. Quer dizer então que, para além dos casos de pedofilia que têm vindo a ser conhecidos, há um número muitíssimo maior de abusos de adolescentes; note-se que se diz “abusos” e abusos são de condenar, mesmo que os abusados sejam adultos. Quanto aos 10% que são casos de pedofilia, nada se diz que permita relacioná-los com o carácter hetero ou homossexual dos abusadores.

Relativamente à segunda transcrição, a propósito das declarações de Bertone  que a homossexualidade “é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e padres em grau menor – nestes casos, é um assunto muito sério e escandaloso”, diz-se que “as autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de carácter médico e psicológico e assinalam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema”. Quer dizer que as autoridades eclesiáticas consideram a homossexualidade uma patologia e lavam as mãos dos casos de comportamento homossexual dos seus membros. Mas não é proibido aos padres ter relações sexuais, sejam elas com homens ou com mulheres? A que propósito vem isto, então? Ah! e os padres padecem menos da doença homossexual do que pessoas de outras categorias!

A última citação diz que “foi demonstrado por muitos psicólogos e psiquiatras que não há ligação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros estudos põem em evidência uma ligação entre homossexualidade e pedofilia”. “Isto é uma verdade e é o problema”. Admitindo que “isto é verdade”, como se diz, porque é “isto é o problema”? Se um padre abusar de meninas, isso não é um problema? É mais natural que um padre com tendências homossexuais abuse de meninos do que outro que tenha tendências heterossexuais abuse de meninas? E a que propósito vem aqui a questão do celibato?

Ando muito desgostoso com a actuação dos responsáveis da Igreja em toda esta questão; parece que se trata de pessoas completamente irresponsáveis e profundamente desorientadas.

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Vaticano anda desorientado

O Vaticano parece não acertar na tentativa desesperada de limpar a imagem da Igreja Católica, muito afectada com as últimas revelações sobre o encobrimento dos casos de pedofilia. O secretário do Vaticano, Tarcisio Bertone, afirma que a pedofilia não tem que ver com o celibato dos padres, mas sim com a homossexualidade. Estas declarações são profundamente ridículas. Em primeiro lugar, pedofilia refere-se a relações sexuais com menores, sejam eles do sexo masculino ou feminino, mas, acima de tudo, é perfeitamente sabido que há inúmeros pedófilos casados, portanto é de esperar que as tendências pedófilas de alguns clérigos não deixem de se manifestar pelo facto de se eliminar o celibato. Devo dizer, no entanto, que defendo a eliminação do celibato dos padres, bem como a ordenação de mulheres, mas não como meio para acabar com a pedofilia.

No Jornal de Notícias lê-se que o Vaticano absolve Beatles ao fimde quatro décadas. Eu nem sabia ou não me lembrava do caso, mas parece que a Santa Sé cortou relações com os Beatles, porque John Lenon declarou, há 40 anos, que eles eram mais populares que Jesus Cristo. Agora o L’Osservatore Romano pergunta “o que seria a música pop sem os Beatles?” Com este artigo, a Igreja perdoa aos Beatles, sem que estes ou alguém por eles, se tenha mostrado arrependido pelas declarações que motivaram o afastamento. De facto, a Igreja vem reconhecer que andou mal há 40 anos, mas inverte as coisas, perdoando a suposta ofensa. A frase de John Lenon nem tinha nada de ofensivo e era, provavelmente, a constatação de um facto; a reacção da Igreja é que foi completamente despropositada; e continua a sê-lo.

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