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Igreja de São Paulo

O que mais impressiona na Igreja de São Paulo, em Braga, é o contraste entre a fachada austera, desprovida de ornamentação, e a opulência das talhas no interior.

Há 12 retábulos, incluindo o do altar mor, todos com trabalho de talha minucioso.

Os altares são em estilo barroco, com excepção dos dois que se situam logo abaixo da capela mor, de um lado e do outro, sendo o da esquerda numa mistura de estilos em que predomina o rococó e o da direita um tardo-barroco. Neste último vale a pena destacar a perfeição da porta do sacrário.

Não cabem aqui todas as fotografias que tenho da Igreja de São Paulo, mas podem ser vistas no Picasa, juntamente com outras da zona envolvente.

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Mais disparates

No jornal ionline aparece uma notícia com o título Vaticano esclarece: “Padres gays” são responsáveis pela maioria dos abusos, cujo conteúdo é praticamente idêntico ao da notícia publicada no Google Vaticano se distancia de declarações ligando pedofilia à homossexualidade. Nestas notícias transcrevem-se declarações do porta voz do Vaticano, Federico Lombardi, a propósito das afirmações desastradas do secretário de estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, ligando a pedofilia à homossexualidade. Nas notícias refere-se também um estudo da Congregação para a Doutrina da Fé que, infelizmente, não consegui obter; fico assim limitado às transcrições que são feitas nas notícias e são essas que pretendo comentar.

A primeira transcrição diz que “apenas cerca de 10% dos casos de abusos são actos de pedofilia; os restantes 90% revelam a atracção entre adultos e adolescentes”. Desses, “60% envolvem indivíduos do mesmo sexo e 30% são de carácter heterossexual”. Quer dizer então que, para além dos casos de pedofilia que têm vindo a ser conhecidos, há um número muitíssimo maior de abusos de adolescentes; note-se que se diz “abusos” e abusos são de condenar, mesmo que os abusados sejam adultos. Quanto aos 10% que são casos de pedofilia, nada se diz que permita relacioná-los com o carácter hetero ou homossexual dos abusadores.

Relativamente à segunda transcrição, a propósito das declarações de Bertone  que a homossexualidade “é uma patologia que atinge pessoas de todas as categorias, e padres em grau menor – nestes casos, é um assunto muito sério e escandaloso”, diz-se que “as autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de carácter médico e psicológico e assinalam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema”. Quer dizer que as autoridades eclesiáticas consideram a homossexualidade uma patologia e lavam as mãos dos casos de comportamento homossexual dos seus membros. Mas não é proibido aos padres ter relações sexuais, sejam elas com homens ou com mulheres? A que propósito vem isto, então? Ah! e os padres padecem menos da doença homossexual do que pessoas de outras categorias!

A última citação diz que “foi demonstrado por muitos psicólogos e psiquiatras que não há ligação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros estudos põem em evidência uma ligação entre homossexualidade e pedofilia”. “Isto é uma verdade e é o problema”. Admitindo que “isto é verdade”, como se diz, porque é “isto é o problema”? Se um padre abusar de meninas, isso não é um problema? É mais natural que um padre com tendências homossexuais abuse de meninos do que outro que tenha tendências heterossexuais abuse de meninas? E a que propósito vem aqui a questão do celibato?

Ando muito desgostoso com a actuação dos responsáveis da Igreja em toda esta questão; parece que se trata de pessoas completamente irresponsáveis e profundamente desorientadas.

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Vaticano anda desorientado

O Vaticano parece não acertar na tentativa desesperada de limpar a imagem da Igreja Católica, muito afectada com as últimas revelações sobre o encobrimento dos casos de pedofilia. O secretário do Vaticano, Tarcisio Bertone, afirma que a pedofilia não tem que ver com o celibato dos padres, mas sim com a homossexualidade. Estas declarações são profundamente ridículas. Em primeiro lugar, pedofilia refere-se a relações sexuais com menores, sejam eles do sexo masculino ou feminino, mas, acima de tudo, é perfeitamente sabido que há inúmeros pedófilos casados, portanto é de esperar que as tendências pedófilas de alguns clérigos não deixem de se manifestar pelo facto de se eliminar o celibato. Devo dizer, no entanto, que defendo a eliminação do celibato dos padres, bem como a ordenação de mulheres, mas não como meio para acabar com a pedofilia.

No Jornal de Notícias lê-se que o Vaticano absolve Beatles ao fimde quatro décadas. Eu nem sabia ou não me lembrava do caso, mas parece que a Santa Sé cortou relações com os Beatles, porque John Lenon declarou, há 40 anos, que eles eram mais populares que Jesus Cristo. Agora o L’Osservatore Romano pergunta “o que seria a música pop sem os Beatles?” Com este artigo, a Igreja perdoa aos Beatles, sem que estes ou alguém por eles, se tenha mostrado arrependido pelas declarações que motivaram o afastamento. De facto, a Igreja vem reconhecer que andou mal há 40 anos, mas inverte as coisas, perdoando a suposta ofensa. A frase de John Lenon nem tinha nada de ofensivo e era, provavelmente, a constatação de um facto; a reacção da Igreja é que foi completamente despropositada; e continua a sê-lo.

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A Igreja é falível

O prestígio da Igreja Católica tem sofrido um grande abalo, nos tempos recentes, devido à divulgação de comportamentos pedófilos e outros abusos de menores, por parte de clérigos em vários países, situações que foram, por vezes, do conhecimento de autoridades eclesiásticas que optaram por fechar os olhos; o Papa deverá, em breve, dar orientações sobre a matéria. Os católicos, como eu, sentem-se deveras incomodados com a situação, porque se habituaram a olhar para a Igreja como um referencial de comportamento ético e moral, tolerando um ou outro desvio por parte de um ou outro membro da Igreja, já que são todos pessoas sujeitas a tentações. A dimensão dos casos que têm vindo a público e o facto de pessoas altamente colocadas não terem actuado na altura devida, mina a credibilidade da Igreja Católica para servir de referencial.

Também no que respeita à Criação, pedra de toque da doutrina da Igreja, tem havido vários passos em falso ao longo da história, reveladores de que a Igreja anda mal quando se mete em questões de ordem científica. Lembremos que as escrituras dizem que Deus criou o céu e a terra e tudo o que nela existe; interpretada à letra, esta doutrina levou a que fossem declarados heréticos aqueles que, no tempo de Galileo, defendiam que a Terra não era o centro do Universo. Mais tarde e pela mesma razão, a Igreja adaptou-se, com enorme dificuldade, à teoria da evolução das espécies e ao facto de todas as espécies actuais, incluindo a espécie humana, resultarem de evolução de espécies primitivas. Poderia pensar-se que episódios destes não voltariam a repetir-se mas hoje sabe-se que a vida não foi criada e poderá vir a estabelecer-se, dentro de algumas décadas, que o próprio Universo não foi criado; não se vê que a doutrina da Igreja esteja a evoluir no mesmo sentido.

A Igreja Católica parece debater-se com um dilema que é: Deus é o Criador, porque senão não é nada. Penso que, muito pelo contrário, Deus não é o criador porque é Tudo.

A Igreja é formada por pessoas, susceptíveis de errar, todas, incluindo o Papa. Se pretende manter a sua credibilidade como guardiã da fé, a Igreja tem que deixar de meter-se onde não é chamada e concentrar-se em ser modelo de comportamento ético e social, digo eu que sou católico apesar de tudo.

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