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Buscas na internet depois do acordo

Que eu sou anti-acordo e me recuso a adoptar a nova ortografia já o escrevi e reafirmo. Uma das consequências da confusão que foi criada é a multiplicação de expressões de busca nas pesquisas na internet; considerem a busca de algo como “motor eléctrico adoptado em…”. Para obter todas as respostas relevantes é necessário fazer quatro buscas, combinando as ortografias pré e pós acordo das palavras “eléctrico” e “adoptado”. Esta situação aconteceu-me recentemente e contribuiu para, mais uma vez, acentuar a minha oposição ao acordo ortográfico.

A propósito deste tema ouvi há dias, num programa de rádio, um ilustre linguista, dos que integraram a comissão responsável pela negociação do acordo, afirmar que nenhum dos grandes escritores portugueses chegou a usar a ortografia oficial pré acordo de 1990, isto porque, para este linguista, só houve grande escritores em Portugal até à adopção do acordo de 1945. Quer dizer, tudo quanto se escreveu desde 1945 teve autores menores, que não merecem ser considerados.

 

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Direitos de autor na era digital

O secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas, defendeu a necessidade de acautelar os direitos dos criadores face à vulgarização da pirataria através da internet; afirmou: Nunca precisámos, como hoje, de defender os direitos dos autores e da criação. Se não tomarmos providências, uma atitude legislativa, daqui a uns tempos vai restar-nos apenas o veículo [Internet], o que é muito injusto para os criadores, para a nossa História, e é injusto que o talento seja confundido [com o meio].

Discordo do senhor secretário de estado, porque não se aplicam a realidades novas as receitas antigas; não vejo qualquer viabilidade de medidas legislativas e fiscalizadoras reduzirem significativamente a divulgação não autorizada das obras, retirando aos seus autores a justa remuneração do trabalho criativo. Alguns autores, nomeadamente no meio musical, aprenderam a conviver com a internet e a retirar proveitos das suas obras por essa via. No domínio das obras escritas há autores a fazer uso da edição através da impressão a pedido (print on demand), através da qual recebem uma remuneração proporcional ao número de exemplares impressos. Também no domínio do software têm aparecido soluções para reduzir a pirataria a níveis residuais, como é o caso das aplicações para iPhone da Apple.

 

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Pordata

O site da Pordata é uma fonte impressionante de dados estatísticos sobre quase todos os aspectos da vida nacional. Logo na página de entrada aparecem uma série de números importantes, que mudam em tempo real; os números relativos a despesas do Estado, por exemplo, estão ali a crescer de forma impressionante, mas também o número de nascimentos e óbitos do dia está em actualização constante.

Penetrando no site é possível ver que se encontra organizado por temas e sub-temas, cobrindo quase tudo o que se possa imaginar. Para cada assunto é possível consultar tabelas, fazer gráficos, analisar tendências, etc. Verdadeiramente impressionante.

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O Livro da Consciência

A notícia que me chamou a atenção nos jornais de hoje foi o lançamento de O Livro da Consciência de António Damásio, através de um longo texto no Público. Damásio fala-nos da consciência humana usando uma linguagem de imagens mentais, mesmo para o pensamento abstracto. Também nos diz que consciência, com diferentes níveis, tem de existir noutras espécies. Para mim é mais natural falar de informação do que de imagens mentais, mas estou essencialmente de acordo com Damásio e só espero ter oportunidade de ler o livro para ver até que ponto ideias que venho desenvolvendo há anos encontram paralelo no pensar deste especialista.

Consciência, inteligência, pensamento abstracto, são designações diversas para o que julgo ser o processamento de informação no nosso cérebro. Penso que o cérebro humano evoluiu por um processo de selecção natural e que a evolução da inteligência acompanhou a do cérebro. Houve, no entanto, um ponto culminante que separou a evolução do cérebro humano da das outras espécies, que foi o início de passagem de informação através de imagens rupestres, primeiro, e da escrita, depois. Atrevo-me a pensar que o processo evolutivo não parou e que a informação disponível instantaneamente, através da internet, marca outro ponto singular no processo. O funcionamento da internet é uma mímica das sinapses entre neurónios, só que a uma escala planetária; é a isso que chamo Cérebro do Planeta.

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A internet não estupidifica

A entrevista de Don Tapscott, que aparece hoje no Público, deixa claro que a internet não está a tornar os jovens mais estúpidos e que o tempo que eles gastam on-line é retirado à televisão, muito mais do que aos amigos.

Tenho dito em vários locais e já escrevi aqui, que vejo a internet como uma inteligência planetária em emergência, que até designei por Cérebro do Planeta. Quando analisamos o que de bom e de mau se troca na internet podemos ou não ficar chocados com o balanço mas se fizermos um pouco de introspecção, relativamente aos nossos próprios processos mentais, não vamos encontrar muito lixo até à formação de uma ideia final?

A internet faz parte do processo evolutivo global, o mesmo que fez aparecer sobre a Terra o homo sapiens; é, em certa medida, a mente de um ser de nível superior, que se estende a todo o planeta. Não temos que ficar intimidados com a ideia deste ser global, porque ele não se vai transformar num big brother nem vai tolher o nosso livre arbítrio.

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Não é o fim do Facebook

Só amanhã se saberá o resultado do apelo para que hoje toda a gente feche a sua conta no Facebook, por desagrado com a política de privacidade da empresa. O meu vaticínio é que a esmagadora maioria dos utilizadores deixará passar a data sem tomar qualquer acção, de qualquer modo houve alterações recentes nos mecanismos de privacidade que foram motivados por este apelo.

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