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Noticiários da TSF

Tornei-me ouvinte habitual da TSF por altura dos episódios de Timor, quando esta estação fez uma cobertura excepcional do que se passava naquele território, nos momentos que antecederam a sua independência. Depois disso agradavam-me sobretudo os noticiários todas as meias horas, que me permitiam saber as últimas notícias rapidamente. Hoje em dia as coisas mudaram, porque os noticiários da TSF passaram a ser peças de um amadorismo confrangedor e desesperante.

O noticiário das 8 horas de hoje durou 15 minutos, dos quais 11 foram dedicados à situação no Egipto e os restantes a duas notícias de futebol. Metade do tempo foi ocupado com o som “aaaaaaa…”, que a jornalista usou para preencher os intervalos em que pensava no que ia dizer a seguir. Repetiu várias vezes os mesmos pedacinhos de informação, disse que nessa altura eram 6 horas no Egipto quando, de facto, eram 10 horas e ainda disse que o Presidente da República tinha assegurado que não havia problemas com portugueses; mas na peça com a voz do Presidente, que passou a seguir, ouviu-se que este “não tinha informação” de problemas envolvendo portugueses.

Já aqui há tempos me queixei dos noticiários da TSF; na altura intitulei o artigo “A gaguez crónica da TSF”. É que não se trata de um único locutor gago; é toda uma escola de locutores da estação que aprendeu a gaguejar, a dizer “aaaaa…”, etc. É enervante ouvir certos noticiários!

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Portugal mais, Portugal menos

No dia 21 de Outubro de 2008 o Público titulava Portugal no topo das desigualdades da OCDE e dizia na notícia que no seu relatório “Crescimento e Desigualdades”, hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e traduziu-se num aumento da pobreza infantil. Os autores do estudo colocam a Dinamarca e a Suécia à frente dos países mais justos, com um coeficiente de 0,23, e o México no topo da tabela dos mais injustos (0,47), seguido da Turquia (0,42) e de Portugal e dos Estados Unidos (ambos com 0,32). No mesmo sentido vai a notícia da Antena 1 de ontem Portugal é um dos países onde há um fosso maior entre ricos e pobres.

Já em 15 de Julho de 2009 dizia o Jornal de Negócios Desigualdade entre ricos e pobres baixou em Portugal e no corpo da notícia, A disparidade entre os rendimentos na população portuguesa mais rica face à mais pobre diminuiu no ano passado e o risco de pobreza manteve-se, atingindo 18% dos portugueses. As conclusões constam do relatório do Instituto Nacional de Estatística sobre rendimento e condições de vida, hoje divulgado.

Hoje é o Público que coloca o título Portugal é um dos países com menor desigualdade no acesso à saúde infantil e bem-estar das crianças e no resumo da notícia Num ranking de 24 países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Portugal destaca-se pela positiva em matéria de igualdade de acesso a saúde e bem-estar, mas peca na educação e no bem-estar material.

As notícias só são notícia quando Portugal está num dos extremos da tabela mas neste caso até parece que podemos estar nos dois extremos ao mesmo tempo.

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Ricardo Rodrigues perdeu a paciência

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O não-caso Mário Crespo

O dito Caso Mário Crespo não tem ponta por onde se lhe pegue. Parece que alguém lhe disse que ouviu o Sr. Primeiro Ministro referir-se à sua pessoa, em conversa particular, como “um caso que era preciso resolver”. Mário Crespo viu aí um furo para se armar em vítima de perseguição e tentou colocar na sua coluna no Jornal de Notícias um artigo sobre o assunto. O director do jornal não aceitou, porque tal artigo violava as regras editoriais do jornal. Claro que aí Mário Crespo sentiu-se ainda mais vítima e nasceu um caso.

Este caso não deveria ser caso nenhum e não deveria merecer a atenção da ERC. O Sr. Primeiro Ministro tem o direito de dizer o que quiser em conversas particulares, como qualquer outra pessoa, e é falta de educação estar a escutar as conversas do vizinho no restaurante, mesmo quando o vizinho é o Sr. Primeiro Ministro. Também me parece de mau gosto que um colunista de jornal, que tem a coluna para escrever sobre assuntos que interessam a todos os leitores, dentro de uma temática geral pré-definida, venha aproveitar esse espaço para tratar dos seus problemazinhos e das suas frustrações particulares.

É por isso que recuso os convites para aderir aos grupos de apoio a Mário Crespo que me chegam no Facebook.

Ler no Publico.

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Marcelo sai, Marcelo fica

Pouco tempo depois do início do programa As Escolhas de Marcelo, de Marcelo Rebelo de Sousa, a ERC entendeu recomendar à RTP que respeitasse o pluralismo democrático, ao que a RTP reagiu contratando António Vitorino para o programa Notas Soltas. As crónicas de um comentador da área do PSD ficavam assim equilibradas por crónicas de outro da área do PS. Na minha opinião, o programa de Marcelo Rebelo de Sousa foi sempre muito mais apartidário do que o de António Vitorino.

Agora, que António Vitorino resolveu sair por sua iniciativa própria, a RTP viu-se em dificuldades para cumprir as recomendações da ERC e prepara-se para suspender As Escolhas de Marcelo. Quer o comentador quer a estação não desejam o fim do programa, mas é realmente difícil encontrar outro comentador do mesmo calibre na área do PS. Surpreendentemente a ERC vem dizer que não tem responsabilidade no fim do programa de Marcelo Rebelo de Sousa; quem os entende? Ler no Jornal de Negócios.

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Gaguez crónica da TSF

Muitos locutores da TSF padecem de uma gaguez, que não sei se é inata ou se faz escola naquela estação; a verdade é que se torna profundamente irritante ouvir certas notícias. Ouçam este exemplo de João Paulo Baltazar. http://www.4shared.com/file/171299328/6c576ee7/TSF_N_22.html


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Mortes fetais após vacinação

Em Portugal registam-se cerca de 300 mortes fetais por ano, quer dizer, quase uma por dia, que não são notícia; são devidas a causas diversas, frequentemente desconhecidas, e são consideradas normais. Suponhamos agora que todas as grávidas tinham sido vacinadas contra a gripe A. Se tal acontecesse teríamos quase diariamente uma morte fetal na sequência da vacinação, o que não significaria nenhuma relação de causa-efeito entre as duas coisas. Porque razão hão-de passar a ser notícia estes casos? Apenas porque os media estão sempre apostados em provocar alarme?

Ler posição da Agência do Medicamento no Público.

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