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O mal está feito

O comentário de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios é uma peça clarividente sobre o estado da justiça e do caso Face Oculta em particular. Diz ele que “No início, era o processo “Carril Dourado”, em que estava envolvido Manuel Godinho e a Refer, por suspeitas de roubo de material que dificilmente o pode ter sido sem pessoas “de dentro”. A investigação da Judiciária foi lenta mas foi bem feita, apanhando afinal uma teia de corrupção em várias empresas, quase todas do Estado: nasceu o caso “Face Oculta”, maior e mais tentacular que o primeiro.” Isto passou-se enquanto o processo se manteve em Aveiro; surpreendentemente não houve qualquer fuga de informação.

Logo que vieram para Lisboa as malfadadas certidões e se deu a detenção de Manuel Godinho “o problema escalou até se tornar auto-destrutivo. É incrível como uma investigação aparentemente tão bem feita como a da “Face Oculta”, com milhares de escutas, indícios, pormenores, dezenas de arguidos, entregue à Procuradoria como “basta levar ao forno”, cometeu erros crassos no final com o primeiro-ministro, o que ameaça descredibilizar, em ricochete, todo o processo.”

Como todos os portugueses aguardo para ver, com grande desconfiança quanto ao desfecho final.

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140 anos da Nature

natlogoA revista Nature tem enorme prestígio entre a comunidade científica e nasceu há 140 anos; com prestígio semelhante existe apenas a Science. O conteúdo do primeiro número está disponível “on line” aqui.

O prestígio daquelas revistas é tal e tal a dificuldade de conseguir nelas colocar um artigo, que muitos investigadores consideram esse feito como a coroa de glória da sua investigação; obviamente a grande maioria nuca lá chega.

As publicações científicas, no entanto, mudaram muito nestes 140 anos; muitos são os que pensam que hoje Einstein teria tido imensa dificuldade em publicar as suas teorias em qualquer revista científica de prestígio. A questão é que os editores das revistas tornaram-se extremamente conservadores para não porem em risco o prestígio adquirido. Os artigos têm que ser apreciados por revisores, membros da comunidade científica, que conhecem apenas a sua área específica de trabalho. O alcance de ideias verdadeiramente inovadores não é apreciado pelos revisores, porque não têm a preparação, o tempo e a ousadia para lhes dar acolhimento. É bem verdade que para cada nova ideia com verdadeiro valor aparecem milhares de ideias que são lixo e que pescar as primeiras é quase procurar agulha em palheiro. Os autores destas novas ideias têm hoje o recurso da Internet, onde tudo vai parar, com a esperança de que o tempo venha a separar o trigo do joio.

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Nova direcção no Público

barbara_reis

rui gaudencio - 23 abril 2007 - barbara reis

Quando ontem vi o editorial do Público estranhei não ver a assinatura da nova directora, Bárbara Reis; a explicação vinha no próprio editorial e era que, a partir de ontem, os editoriais representam uma posição solidária de toda a direcção e não a de quem os escreve. Percebo e concordo, o que não quer dizer que achasse mau o procedimento anterior; parece-me aceitável de uma forma ou de outra.

Um segundo aspecto focado no texto, que acho mais importante, é que esta direcção está consciente de uma percepção, entre os leitores, de que o jornal adquiriu uma carga ideológica a qual se pretende eliminar. A direcção não assume que o jornal adquiriu uma carga ideológica, apenas que existe essa percepção, portanto manifesta intenção de actuar por forma a eliminar a percepção. Bem, acho que para bom entendedor meia palavra basta, por isso saúdo a intenção de eliminar a percepção, para o que será necessário eliminar a própria causa da percepção.

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Passivo da Estradas de Portugal

logotipo estradas de portugal saParece que o passivo da Estradas de Portugal aumentou 1400 por cento e era, no final do primeiro semestre, de mais de 15 mil milhões de euros, o que equivale a 10% do produto interno bruto. Espero sinceramente que haja um desmentido em breve, porque este valor parece-me absolutamente inconcebível. Nestas questões de números os media enganam-se facilmente nos zeros e espero bem que seja esse o caso.

Dei-me ao trabalho de consultar o relatório da Direcção Geral do Tesouro e Finanças de onde transcrevo:

Merecem destaque os progressos obtidos por várias empresas públicas que
contribuíram para a melhoria global do desempenho do SEE no período:

[…]

– A EMA, a RTP, Metropolitano de Lisboa e Estradas de Portugal, com
crescimento no resultado operacional de 75,9%, 54,6%, 32,5% e 12,3%,
respectivamente;

[…]

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Caso Casa Pia

O caso Casa Pia corre o risco de se tornar na maior vergonha das muitas vergonhas da nossa justiça. A grande probabilidade é que termine com a condenação do Bibi e absolvição de todos os outros réus, os quais não deixarão de pedir indemnizações condizentes com o seu estatuto social e profissional. Os nossos impostos hão-de pagar os custos dos tribunais, honorários de advogados e indemnizações chorudas, enquanto as vítimas continuarão vítimas, só que com exposição pública, que não lhes deve vir nada a calhar.

Mas agora vão ser julgados 20 jornalistas por violação de segredo de justiça relativamente a este caso. A caricatura de justiça que temos faria bem em condenar os jornalistas e absolver os réus do julgamento rpincipal, para que a anedota ficasse completa.

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José Manuel Fernandes abandona o Público

O actual directo do Público anunciou hoje a sua intenção de abandonar o cargo no fim deste mês. Disse que a decisão já tinha sido tomada em Julho e nada tem a ver com o caso das escutas a Belém, caso que ele própiro criou. Como iria dizer outra coisa?

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Suicídios na France Telecom

France TelecomOntem registou-se o vigésimo quarto suicídio na France Telecom nos últimos 18 meses, como noticia o Público. A empresa está em reestruturação profunda desde Fevereiro de 2008 e estes suicídios estão frequentemente relacionados com condições de trabalho e fixação de objectivos particularmente exigentes. Neste caso, o trabalhador  mencionou isso mesmo em carta que deixou à família e sabe-se que andava em depressão há algum tempo.

Na sequência deste último caso foram suspensas as relocalizações sistemáticas e os objectivos individuais de trabalho, até que esteja concluída uma melhoria das condições de trabalho. Esta última parte da notícia é quase escamoteada no Público mas aparece no Le Monde.

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