O comentário de Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios é uma peça clarividente sobre o estado da justiça e do caso Face Oculta em particular. Diz ele que “No início, era o processo “Carril Dourado”, em que estava envolvido Manuel Godinho e a Refer, por suspeitas de roubo de material que dificilmente o pode ter sido sem pessoas “de dentro”. A investigação da Judiciária foi lenta mas foi bem feita, apanhando afinal uma teia de corrupção em várias empresas, quase todas do Estado: nasceu o caso “Face Oculta”, maior e mais tentacular que o primeiro.” Isto passou-se enquanto o processo se manteve em Aveiro; surpreendentemente não houve qualquer fuga de informação.
Logo que vieram para Lisboa as malfadadas certidões e se deu a detenção de Manuel Godinho “o problema escalou até se tornar auto-destrutivo. É incrível como uma investigação aparentemente tão bem feita como a da “Face Oculta”, com milhares de escutas, indícios, pormenores, dezenas de arguidos, entregue à Procuradoria como “basta levar ao forno”, cometeu erros crassos no final com o primeiro-ministro, o que ameaça descredibilizar, em ricochete, todo o processo.”
Como todos os portugueses aguardo para ver, com grande desconfiança quanto ao desfecho final.




