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Modelo económico de Cuba não funciona

Em entrevista recente à revista The Atlantic (citada pelo Público) respondeu a uma pergunta sobre se achava que ainda valia a pena exportar o modelo cubano, que este já não funciona nem para os cubanos. É o reconhecimento do que é óbvio para toda a gente; Cuba tornou-se numa atracção turística pelo pitoresco dos seus edifícios e dos seus carros antigos mas o país precisa desesperadamente de investimento, porque os edifícios não se aguentam de pé indefinidamente sem conservação e porque os problemas sociais são de uma dimensão inaceitável. O modelo cubano exerce uma atracção romântica mas a realidade exige que se vá muito para além do romantismo; oxalá os cubanos saibam fazê-lo preservando o muito que há de bom no país.

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Justiça indiana

A justiça da Índia lembra a justiça Portuguesa, infelizmente. Em 1984 houve um acidente na fábrica da Union Carbide, em Bhopal, do qual resultaram 3500 mortos, segundo estatísticas oficiais, e 25000 segundo organizações independentes. Passados 25 anos foram condenados os responsáveis pela negligência, entre os quais se encontra o presidente da empresa na altura, em penas até 2 anos de prisão mais multas; os condenados têm, naturalmente, direito a recurso, o que pode adiar por vários anos o veredicto final. Pelo que se conhece dos casos mais mediáticos no nosso país, julgo que cá não seria diferente. Ver mais no Público.

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Pays de La Loire

Angers vista do castelo.

Nos dias de Carnaval fomos até França; estabelecemos a nossa base em Le Mans e divergimos daí para St. Malo, Monte de St. Michel e Angers.

Muralha de St. Malo

À chegada ao aeroporto de Charles Degaulle, no sábado, estava tudo coberto por uma camada fina de neve, com céu encoberto e frio. Cerca das 2 horas estávamos no carro alugado, prontos a partir para Le Mans. A primeira parte da viagem exige uma enorme atenção, porque há que contornar Paris pelo Leste e pelo Sul, durante cerca de 60 Km; um grande viva ao GPS do telemóvel Nokia, que nos guiou sem falhas até ao destino, embora nos dias seguintes tivesse tido um ou outro problema. Durante a viagem a temperatura exterior oscilou entre -1 e 0 graus e os campos apresentaram-se quase sempre cobertos de neve.

St. Malo - Fort National.

Quando chegámos a Le Mans era fim da tarde e apenas pudemos fazer uma visita rápida à cidade velha antes de começar a escurecer. Encontrar restaurante para jantar não foi fácil, porque era noite de S. Valentim, a maioria dos restaurantes apenas aceitava casais e nós éramos 3.

Rua de St. Malo.

No domingo de manhã rumámos a St. Malo, que é uma cidade fortificada e um porto importante. A cidade foi quase completamente destruída na segunda grande guerra e foi reconstruído num estilo a imitar antigo, mas não original. Pode passear-se ao longo da muralha que cerca a cidade e observam-se várias ilhas com pequenos fortes. Devido a grande amplitude das marés, várias destas ilhas são acessíveis a pé durante a maré baixa.

Mont Saint Michel

De St. Malo fomos até ao Mont St. Michel, um rochedo até há pouco tempo apenas acessível na maré baixa, onde foi construído um templo dedicado ao arcanjo S. Miguel no século VII. Desde aí multiplicaram-se as construções e o que hoje domina é a grande abadia no topo do monte; na base existem ruas estreitas muito pitorescas.

Mont Saint Michel - Rampa monta-cargas

Angers - Torre do castelo

Na segunda fomos para Sul, até Angers, cujo motivo de atracção principal é o castelo; dentro deste encontra-se a tapeçaria do apocalipse, com cerca de 800 m2 de cenas descrevendo o apocalipse de S. João.

Angers

Le Mans - Cidade velha.

A terça-feira ficou reservada para Le Mans, que é dominada pela cidade velha, com a catedral, que está em obras, e as mais de 100 casas de traves de madeira à vista, muitas com entalhamentos. Há um resto da muralha romana e vestígios muito mais antigos.

Le Mans - Muralha romana.

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Assim é a política

No parlamento Britânico os deputados fazem despesas ilegítimas e fictícias, não documentadas porque a palavra de um membro do parlamento não se põe em dúvida; agora têm que devolver o dinheiro por ordem do tribunal.

No parlamento Italiano o partido do Sr. Berlusconi quer evitar que este tenha que responder em tribunal pelos crimes de que está acusado e faz aprovar uma lei que permite ao Presidente da República evitar comparecer no tribunal invocando compromissos de agenda, quaisquer que eles sejam.

Por cá é aquilo que nós não sabemos…

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Frist among equals

O sistema eleitoral do Reino Unido funciona na base de círculos uni-nominais, designados constituencies. Cada círculo elege um único deputado, que é aquele que consegue maior número de votos; um partido pode ser 2º em todos os círculos e não elege nenhum deputado, enquanto outro partido que fique em 1º num único círculo elege esse deputado, independentemente do que aconteça no resto do país. Este sistema, altamente não-proporcional, tem contudo a vantagem de proporcionar uma ligação forte entre os deputados e seus constituintes.

No romance de Jeffrey Archer seguimos o percurso de 4 deputados, eleitos pela primeira vez para o Parlamento simultaneamente, e ficamos a conhecer muitos dos meandros da política Britânica; Jeffrey Archer sabe do que fala, porque foi, ele próprio, deputado. Os golpes baixos e as traições, bem como promessas de benefícios a troco de votos são frequentes; as personalidades dos 4 protagonistas e as suas formas de estar são diferentes e nem todos fazem uso dos mesmos processos para alcançar os seus propósitos.

O romance foi escrito em 1984 mas a história desenrola-se num período que vai dos anos 60 até à década de 90, quer dizer, há uma primeira fase em que a história aparece ancorada em factos reais, com Primeiros Ministros e governos que existiram de facto, e uma segunda fase inteiramente especulativa. A primeira fase é francamente melhor do que a segunda e proporciona uma leitura empolgante. A última parte lê-se mais como um longo epílogo e é muito menos cativante.

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Portugal à frente em automóveis eléctricos

Parece que Portugal se adiantou ao Reino Unido no estabelecimento de uma rede nacional de pontos de abastecimento para automóveis eléctricos, o que está a deixar nervosas algumas pessoas naquele país. O alerta foi lançado por Ivan Hodac, secretary general da European Automobile Manufacturers’ Association, que afirmou que o Reino Unido está em risco de ser preterido em favor de Portugal para produção do veículo Leaf da Nissan, porque não está a investir suficientemente na infra-estrutura de apoio àqueles veículos. Alguns ministros do Governo Britânico ficaram bastante aborrecidos com estas afirmações. Ler também no Jornal de Negócios.

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Civilização pré-colombiana na Amazónia

A desflorestação da Amazónia e imagens de satélite permitem observar vestígios de uma civilização que construía monumentos com paredes ortogonais e circulares e ruas direitas; alguma especulação liga esta descoberta com a lenda do El Dorado. A notícia vem no Público mas se quiser ler o artigo original, na revista Antiquity, está aqui.

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