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O Corpo Estranho

Corpo estranhoÉ um romance típico de Robin Cook, com uma trama tecida em torno de questões do foro clínico. 

O turismo de saúde está a tornar-se num negócio de milhões, na Índia, levando a que muitos pacientes de outras nacionalidades se dirijam àquele país para fazer intervenções cirúrgicas a preços muito mais baixos do que nos países de origem. Nos Estados Unidos há quem não goste desse estado de coisas, porque há interesses privados afectados.

É montado um esquema para denegrir a imagem dos tratamentos efectuados na Índia, que passa por algumas mortes em pós-operatório. Em princípio o esquema não devia levantar suspeitas mas não é isso que acontece e as coisas começam a sair fora de controlo.

A tradução dos best sellers é geralmente descuidada e este não foge à regra. A crítica vai logo para a tradução do título, que no original é Foreign Body. Embora “Corpo Estranho” seja uma tradução correcta, em abstracto, a tradução adequada ao conteúdo do romance seria “Corpo Estrangeiro”.

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Afinal em que ficamos?

O jornal Público titula uma notícia Alerta da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Uso do Magalhães pode fazer disparar casos de miopia mas no corpo da notícia lê-se: Já se fala em síndrome da visão de computador e acredita-se que o aumento da prevalência da miopia, da hipermetropia, do cansaço ocular e do olho seco está relacionado com a utilização crescente das novas tecnologias, frisou (Augusto Barbosa da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.)

Mas então a miopia e a hipermetropia não são condições exactamente opostas? A primeira não designa um olho demasiado comprido e a segunda um olho demasiado curto? E, se a questão é o ecrã pequeno, o que dizer do uso de telemóveis e de consolas de jogos? Deixo as conclusões ao leitor.

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Substituição dos Medicamentos

É difícil perceber quem tem razão nesta questão de substituição dos medicamentos receitados pelos médicos quando estes explicitamente o proíbem. A posição pública da Associação Nacional de Farmácias é de uma extrema candura e inatacável à primeira vista. Com efeito a substituição de um medicamento de marca por um genérico fica mais barata ao doente e ao estado; tratando-se de medicamentos com o mesmo princípio activo, não se percebe qual poderá ser a desvantagem.

Por outro lado, o médico proíbe explicitamente a substituição, supostamente em benefício da saúde do doente. Presume-se que o medicamento de marca e o genérico não são, afinal, equivalentes ou teriam ambos os mesmos efeitos. Poderá haver interesses económicos de alguns médicos por trás da recusa de substituição de medicamento? A Ordem dos Médicos, por sua vez, diz que a ANF é interesseira quando pretende fazer a substituição por genéricos, já que está conluiada com os respectivos fabricantes.

Acredito que todas as partes sejam algo interesseiras em todo o processo e espero que o Governo, pelo menos esse, esteja do lado dos doentes.

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Células Estaminais sem Questões Éticas

Ainda ontem escrevia aqui sobre a forma como a medicina e a ciência em geral interferem e se integram no processo evolutivo global. A notícia de hoje do Público, reportando-se à revista Science, diz-nos que estão a ser produzidas células estaminais a partir de células adultas, quer dizer, sem os problemas éticos resultantes da utilização de embriões. Sabemos que passam anos desde que um desenvolvimento é conseguido em laboratório até que esteja disponível para os clínicos, mas esta é uma notícia de esperança.

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A Medicina Compromete a Evolução?

Como é sabido e já aqui foi dito antes, a evolução das espécies resulta da selecção natural, a qual é determinada essencialmente pela sobrevivência dos mais aptos. Acreditamos hoje que todas as espécies evoluíram a partir de organismos primordiais por alterações aleatórias, sendo que as alterações conducentes a organismos mais bem adaptados foram preservadas pela selecção natural.

Os seres humanos interferem no processo de selecção natural através dos cuidados médicos, permitindo a sobrevivência de seres, sobretudo pessoas mas também animais, que morreriam sem aqueles cuidados. A medicina e a ciência em geral permitem também a reprodução de seres que seriam naturalmente estéreis, interferindo, também aqui, com o processo de selecção natural.

A questão intrigante é porque foi a evolução capaz de criar seres que a podem interromper. Aparentemente a humanidade suspendeu o processo evolutivo no que lhe diz respeito e aos animais domésticos. Penso que há uma outra perspectiva, que permite conciliar os cuidados médicos com um processo evolutivo em permanência e é dessa perspectiva que gosto de olhar para a questão. 

Estou a pensar que as células do nosso organismo são seres unicelulares que a evolução especializou e agregou, por forma a criar um ser de nível superior; entre as especialidades das nossas células também existe a das que cuidam da saúde das restantes. Saltando para um nível mais alto, julgo que o processo evolutivo está a especializar os homens e a agrupá-los num ser de ordem superior para cuja sobrevivência todos contribuem em última análise.

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