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Natal em tempo de crise

Há muito que o Natal me parece um tempo de desperdício mas a conjuntura de aperto económico e financeiro em que vivemos torna esta questão mais premente do que antes. As reuniões de Natal da nossa família envolvem cerca de 30 pessoas e, se não se adoptassem medidas de contenção, se cada pessoa levasse um presente para cada um dos outros, isso significaria 900 presentes a trocar de mãos, presentes que, na maioria dos casos, não teriam qualquer utilidade para os destinatários e teriam significado apenas como lembrança da pessoa que ofereceu. Receber 30 presentes todos os anos significaria também a necessidade de encontrar espaço de prateleiras e gavetas para colocar tanta tralha, o que é deveras custoso.

A epopeia dos presentes começa mais de um mês antes do Natal e envolve exercícios de imaginação e andanças pelas lojas sem fim, isto para comprar bugigangas que, já o sabemos, podem não servir para nada e podem mesmo não agradar ao destinatário, que vai ter que ir às lojas tentar trocar por coisas que aprecie ou de que precise. A despesa com presentes pode ser muito significativa, mesmo quando se tenta colocar tectos para o valor de cada presente. Mas o consumo dinamiza a economia e, por aí, o despesismo do Natal poderá contribuir para o alívio da recessão económica; para que isso funcione é indispensável que se comprem produtos de manufactura nacional, de preferência utilizando matérias primas também nacionais, o que não é compatível com ofertas de telemóveis ou de jogos de computador, para dar dois exemplos.

Há alguns anos que temos adoptado um método de contenção do número de presentes, que garante que cada pessoa recebe um único presente que foi pensado especialmente para si. Com alguma antecedência são feitas fichas com o nome de todos os que vão estar presentes na noite de Natal e é feito um sorteio, de forma que cada um fica com o encargo de encontrar um presente para a pessoa que lhe sair em rifa; os presentes têm um valor máximo pré-determinado, para que não haja grandes disparidades. Em vez de 900 presentes trocam-se apenas 30, quem recebe não sabe quem foi que adquiriu mas sabe que foi pensado especialmente para si. Independente desta troca na reunião de Natal, é normal haver ofertas entre pais e filhos na casa de cada um, mas estas têm boa probabilidade de ser úteis e apreciadas.

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O amigo secreto

Há cerca de um ano eu escrevi aqui sobre o desperdício dos presentes de Natal que, muitas vezes, não têm qualquer utilidade para os destinatários. Este ano a família acordou fazer uma experiência, importada de outros círculos mas pouco generalizada, conhecida por “O amigo secreto”.

A ideia é conseguir que cada pessoa dê e receba uma única prenda. Com antecedência sortearam-se os destinatários das prendas de cada um dos membros da família e estabeleceu-se a gama de preços das prendas a comprar; cada pessoa sabe, assim, a quem se destina o seu presente mas não sabe de quem vai receber. Por este meio pensamos conseguir reduzir o montante gasto e melhorar a qualidade dos presentes à custa da redução significativa do seu número.

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O presente que não tivemos

Neste Natal assistimos à habitual euforia de compras e oferecemo-nos mutuamente presentes que não apreciamos. Apesar da crise, eu e muita outra gente recebemos e oferecemos presentes que os destinatários agradeceram e colocaram escondidos em algum armário, sem saber que destino lhes dar. Há anos que procuro lutar contra esta prática, sem qualquer sucesso; as condicionantes familiares e sociais têm sido demasiado fortes.

E há, no entanto, um presente que cheguei a esperar e que não veio. Desejava que a conferência do clima tivesse sido um sucesso e tivéssemos podido celebrar este Natal com a satisfação de nos termos dado um presente verdadeiramente útil. Apesar de estar convencido de que se está a fazer um uso político abusivo do aquecimento global, julgo que todos os cuidados que tivermos com o nosso planeta serão benéficos para as próximas gerações e vejo com tristeza a incapacidade de nos entendermos sobre isso.

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Basta de Hello Kitty

Há modas para mim incompreensíveis. Este ano parece que todas as crianças têm que ter roupas, telemóveis, mochilas, etc. da linha Hello Kitty. A figura não é especialmente atraente, o nome não parece apelativo, então vai-se lá saber porque é esta moda.

De uma forma geral rejeito as modas, sobretudo pela dependência que provocam em relação a uma marca, que pode assim subir os preços de forma despropositada. De qualquer modo já estou farto desta gatinha.

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Gostava de estar na média

Segundo um estudo da Deloitte, os portugueses serão os cidadãos europeus mais comedidos nas compres de Natal; em média vão comprar 13 presentes e gastar 390 euros. Quem me dera estar na média! Por mais que se diga que “no próximo ano vamos reduzir as prendas”, chega a época e volta tudo ao mesmo.

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Não dê presentes no Natal

Que os presentes de Natal são, em larga medida, um enorme desperdício de dinheiro já todos sabíamos. Agora a questão foi posta em termos económicos pelo economista Joel Waldfogel, que diz: “Celebramos o Natal em todo o mundo com uma orgia de destruição de valor que evapora 25 mil milhões de dólares por ano”. Noutro passo da sua conferência, proferida em Londres, afirma: “As pessoas avaliam os itens que recebem em 20% menos por cada dólar gasto do que os artigos que compram para si próprias”.

Outra constatação é que Aqueles que têm menos contacto com os presenteados são piores do que os que estão em contacto mais frequente”. O conselho é que se ofereçam presentes apenas às pessoas que se conhece bem e se sabe que os vão apreciar; aos outros oferecer presentes sem custo ou dinheiro para que comprem o que lhes apraz.

Notícia no Jornal de Negócios

Notícia na Bloomberg

O registo audio da conferência

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