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Universo alcunha de Deus

No episódio da sarça ardente Deus, respondendo à pergunta de Moisés sobre qual era o Seu nome, disse: Eu sou aquele que É. Esta é uma tradução geralmente aceite para o nome hebraico de Deus, hoje transliterado para Javé. Há dias escrevi aqui, a propósito do Bosão de Higgs, que tudo leva a crer que o Universo não necessitou de ser criado e que, pura e simplesmente É; o Universo parece ter sido capaz de criar tudo quanto existe e, como tal, este Universo justapõe-se e coincide com o conceito de um Deus criador de todas as coisas. Também a crença cristã de que Deus está em toda a parte e em todas as coisas se torna inteiramente compatível com um Universo criador.

A tradição criou uma imagem antropomórfica de Deus, como alguém sobre-humano mas, de alguma forma, dotado de características de inteligência, comportamento e vontade à imagem do ser humano, e é aí que deixa de haver compatibilidade entre a tradição cristã e o Universo criador. O Deus que julga, premeia e castiga, o Deus com livre arbítrio e capacidade de alterar a ordem natural das coisas, dificilmente pode ser compatibilizado com o Deus Universo. É possível a existência de uma consciência e de uma vontade universais, resultantes das consciências e vontades colectivas, como explica Neale Donald Walsch em Conversas com Deus; nestas circunstâncias, uma vontade colectiva poderia, até certo ponto, provocar acontecimentos improváveis. Eu próprio já há anos sugeri, em O Cérebro do Planeta, a possibilidade de a raça humana constituir um ser de escala planetária, dotado da sua própria inteligência, mas quando falamos do Deus Universo falamos de um ser à escala de todo o Universo e não do planeta Terra.

Estas considerações são profundamente inquietantes para mim próprio; não se julgue que estou seguro daquilo que escrevo e que sou detentor de alguma espécie de revelação. Trata-se, tão só e não é pouco, de ter sido treinado para usar a cabeça, o que fiz durante toda a vida, e de não poder agora desligar o interruptor para que ela deixe de trabalhar.

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Bosão de Higgs

Aviso já que não tenciono explicar o que é o bosão de Higgs, porque outros mais capacitados do que eu têm tentado fazê-lo, na comunicação social, sem qualquer sucesso. Até agora eu mantinha uma secreta esperança de que o bosão de Higgs não existisse mas pronto; parece que existe e há que render-me à evidência.

Uma pergunta que me parece pertinente é: Em que é que esta descoberta vai afectar as nossas vidas? Eu diria que em 0% (nada)! O que pode vir a ser afectado são as nossas crenças religiosas porque, com ou sem bosão, é cada vez mais aparente que nada no Universo teve que ser criado, o que quer dizer que o Universo e tudo quanto ele contém, pura e simplesmente É. O Universo, ao que parece, existe porque sim e ele próprio cria tudo, incluindo a vida e aquilo a que se convencionou chamar inteligência. Se estas afirmações parecem heréticas, estou convencido de que parecem aquilo que não são.

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Éter dos tempos modernos

Este blog não se destina a comentários científicos mas não consigo evitar uma pequena referência à notícia que li no Público, “Criado maior mapa de sempre da matéria escura do Universo“, que começa assim: Os cientistas conseguiram produzir o maior e mais detalhado mapa da matéria escura do Universo, responsável pela maioria da matéria existente.

No século XIX os físicos debatiam-se com enormes dificuldades para explicar os fenómenos electromagnéticos e viam-se obrigados a postular a existência de algo, não propriamente uma substância, que permearia todo o espaço, a que chamaram éter electromagnético. Este éter teria propriedades extraordinárias, que não permitiam classificá-lo como substância e que chegavam, em certos casos a ser contraditórias, quer dizer, certas propriedades teriam que ser ligadas ou desligadas consoante as circunstâncias. Foi em 1864 que James Clerk Maxwell pôs ordem na casa, demonstrando que era possível, através de um conjunto de equações, explicar todos os fenómenos electromagnéticos sem recurso ao éter.

No século XXI postula-se um novo éter, também uma não substância, com propriedades irrealistas, para explicar observações astronómicas que os astrofísicos não conseguem, de facto explicar. Primeiro chamou-se a esta não substância “matéria escura” mas mais tarde foi necessário postular uma outra não substância, a que se chamou “energia escura”. Uma das características impressionantes destas “qualquer coisa escura” é que constituem 95% de tudo quanto há, estão por todo o lado, andamos através delas mas não as detectamos. Mas há outras propriedades, mais intrigantes ainda, que exigiriam uma exposição especilalizada.

Estou certo, com uma certeza que me vem de uma fé na ordem geral do Universo mas também de alguns indícios obtidos nos meus próprios estudos da física fundamental, que este novo éter cosmológico virá, um dia, a ser tornado obsoleto pro um conjunto de equações ao estilo das equações de Maxwell. Tenho alguma ideia de qual poderá ser a via para chegar às equações fundamentais da astrofísica, já escrevi alguns artigos sobre o assunto, mas não sou capaz de apresentar a solução definitiva; alguém o fará, um dia.

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Nobel da Física 2011

Acabam de ser anunciados os nomes dos galardoados com o Nobel da Física deste ano, três cosmólogos que descobriram a aceleração da expansão do Universo através da observação de supernovas distantes, são eles Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess. Os prémios Nobel são atribuídos a trabalhos experimentais, não a trabalhos teóricos, e no caso da cosmologia o conceito de experimentação tem que ser entendido de forma lata, por não ser um campo em que se possam fazer experiências laboratoriais.

O trabalho daqueles cientistas é meritório, embora tenha envolvido recursos ao alcance de muito poucos; por comparação, o prémio do ano passado foi atribuído à descoberta do grafeno, que estava ao alcance de qualquer um, uma vez que os meios usados foram pedaços de grafite e fita cola comum. Tenho um problema pessoal com a afirmação de que os laureados deste ano descobriram a aceleração da expansão do Universo, porque estou intimamente convencido de que as observações que fizeram terão, no futuro, uma explicação diferente.

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O Castelo dos Pirenéus

Dois amantes reencontram-se, casualmente, no mesmo hotel onde passaram a última semana juntos, já lá vão 30 anos; dão um grande passeio pelos lugares que lhes trazem muitas recordações e passam a trocar emails secretos, que apagam assim que são lidos. Nesses emails falam do presente mas, sobretudo, do passado, nomeadamente daquela última semana marcante para as suas vidas.

Jostein Gaarder, no entanto, habituou-nos a que as suas histórias sejam lições de filosofia e esta não foge ao padrão. Aqui confronta-se uma visão de um Universo criado por Deus, onde a vida terrena é um acidente, com outra de um Universo que evolui por si mesmo, sem necessidade de intervenção divina, pelo menos depois do big bang inicial. Neste Universo, a haver Deus ele confunde-se com o próprio Universo.

A história é enternecedora e, tal como noutros livros do autor, permite raciocinar sobre temas filosóficos importantes quase sem esforço.

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Novas fotos do Universo

Imagem micro-ondas do céu completo. Crédito: ESA, HFI e Consórcio LFI.

A sonda Planck começou a enviar as primeiras imagens do Universo e espera-se que, lá para os finais de 2012, tenha enviado dados suficientes para esclarecer algumas questões relativas à origem do Universo. A hipótese mais popular postula uma fase de inflação, uma enorme expansão numa fracção de tempo infinitesimal, mas nem todos os cosmólogos estão satisfeitos com esta ideia; mesmo os que a advogam, e são a maioria, não sabem explicar porque é que a inflação aconteceu. É muito possível que a Planck venha a colocar mais questões do que respostas, entretanto podemos deliciar-nos com as imagens.

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A Consciência do Universo

A ideia de que o Universo possa ter uma consciência global começou a ganhar consistência, na minha mente, com o livro de Neale Donald Walsch, Conversations With God. A ideia é que a soma das consciências de todos os seres do Universo é mais do que uma pura justaposição e constitui uma outra consciência de nível superior. Para que se entenda, é uma situação semelhante à de um ser humano, que é muito mais do que a soma das células que o constituem. Assim como cada célula contribui para o funcionamento harmónico do corpo, tratando da sua vida própria como se fosse um ser unicelular, também as consciências e os próprios actos dos seres do Universo entram na harmonia deste, desempenhando, sem o saber, uma função essencial no seu funcionamento.

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