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O Condomínio da Terra

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Portugueses descontentes com a democracia

justica
Um estudo da SEDES revela que os portugueses não confiam na justiça nem nos políticos, com excepção do Presidente da República. Para além disso, os portugueses estão também muito insatisfeitos com o funcionamento da democracia e com a própria democracia. É neste último ponto que divirjo da opinião geral, porque penso que “a democracia é o pior sistema político, tirando todos os outros”. É que, se a democracia é má a ausência dela é pior. Mas a memória é curta; a das pessoas e a dos povos.

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Vandalismo

No parque da cidade de Braga, junto ao rio Este, existem alguns recipientes para lixo, como este

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Alguém achou engraçado arrancar dois deles e atirá-los ao rio.

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Pobres mas felizes

De acordo com um estudo recente os portugueses têm, em média, um rendimento baixo, são dificilmente mobilizáveis para grandes projectos mas dizem-se felizes. A associação da felicidade à posse de bens ou a elevados rendimentos é um mito muito espalhado e completamente errado.

Faz parte da felicidade a necessidade de lutar por alguma coisa, associada ao prazer de conseguir ver frutos desses esforços. O mundo está cheio de ricos infelizes e ainda mais cheio de pobres felizes. A possibilidade de ter absolutamente tudo com um simples estalar de dedos deve dar uma sensação de vazio completamente insuportável; imagino eu, não tenho essa experiência.

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Transformados em máquinas

As actividades que enobrecem a espécie humana são aquelas que não podem, de forma alguma, ser desempenhadas por máquinas. Por outro lado, considero profundamente degradante o exercício de qualquer actividade que pudesse ser executada, de forma mais rápida e eficiente, por uma máquina. Vamos a coisas concretas.

Uma obra de arte ou uma peça de artesanato são valorizadas, não especialmente pela sua beleza mas sobretudo pelo facto de serem peças únicas que uma máquina não poderia produzir. No exercício de actividade intelectual, que é aquele que me interessa agora explorar, considero degradantes as situações em que pessoas são colocadas a executar tarefas que podem hoje ser feitas, com toda a perfeição, por computadores. Isto quer dizer que várias tarefas, que seriam consideradas caracteristicamente humanas há alguns anos, deixaram de o ser com o avanço da informática. As pessoas devem ser retiradas de tarefas desse tipo, para que a sua inteligência seja usada com mais proveito. Quero analisar com algum pormenor dois tipos de situações que vivi na minha carreira, que se transformaram em tarefas degradantes nos últimos anos mas continuam, indevidamente, a ser exercidas por pessoas. 

A primeira situação vive-se nos júris, sejam eles júris para concursos académicos, para selecção de pessoas ou compra de bens. Para que se perceba, nos júris de concursos académicos é pedido aos candidatos que forneçam um currículo detalhado mas, devido à legislação actual e ao número crescente de recursos para tribunais, o júri faz pouco mais do que aplicar uma grelha de critérios e uma fórmula. Se a legislação se mantiver, penso que os candidatos devem passar a ser convidados a preencher uma folha de cálculo, onde constem classificações obtidas, número de publicações e todos os restantes elementos de apreciação. As folhas de cálculo de todos os candidatos podem então ser comparadas pelo computador que ditará o vencedor; isto evitará pagar ordenados de professor catedrático para uma tarefa simples, que o computador desempenha na perfeição. Julgo que seria mais sensato alterar a legislação no sentido de permitir que os candidatos pudessem suscitar a suspeita relativamente à isenção de qualquer membro do júri mas que, uma vez constituído este, a sua deliberação fosse soberana, não sendo sequer divulgados os procedimentos seguidos na deliberação; infelizmente não me parece que caminhemos nesta direcção.

Uma situação diferente, mas não menos preocupante, vive-se nos simpósio, conferências e, pior que tudo, em aulas. O problema resulta do uso e abuso de ferramentas de apresentação como o Power Point que, sendo ferramentas extremaente úteis, que podem ajudar a tornar atraente uma exposição maçuda, também podem levar a uma completa alienação do apresentador. Eu pergunto que sentido faz uma apresentação que se resume a uma sequência de projecções na tela que o apresentador se limita a ler. O mesmo efeito, sem tirar nem pôr, poderia ser obtido com dispensa completa do apresentador e daqui conclua-se qual será o resultado se a coisa se passa numa aula.

Ainda a este propósito mas afastando-me um pouco do tema, ocorre-me falar do guia de instruções para os professores que têm que vigiar exames de aferição. O guia, com 26 páginas, contém todas as frases que os professores devem pronunciar e todos os comportamentos que devem ter, não lhes sendo permitido afastar-se um milímetro do estipulado. A leitura do guia poderia ser feita por qualquer pessoa ou mesmo por uma ma´quina. O que não poderia ser deixado a uma máquina é a vigilância para evitar cópias, mas isso é actividade meramente policial. Para um professor, ser tratado desta forma é insultuoso. A este propósito vale a pena ler a crónica de António Barreto no Público de 24 de Maio.

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Números impressionantes

No relatório agora divulgado sobre os abusos praticados em orfanatos católicos da Irlanda todos os números são impressionantes. O relatório tem 2500 páginas e refere-se a abusos praticados durante mais de 60 anos, sobre mais de 2000 crianças. A comissão de inquérito responsável pelo relatório demorou 9 anos a concluir o seu trabalho. Os abusos praticados foram de todos os tipos, incluindo abusos sexuais e físicos;  afirma-se que lideres da Igreja Católica estavam a par do que se passava.

A Igreja Católica é formada pelo conjunto das pessoas que dizem professar a religião católica. A religião católica está para além da Igreja Católica, mas confesso que ser católico na companhia de pessoas que se comportam desta maneira não é fácil. A piorar a situação, acontece que este não é o primeiro escândalo a envolver a Igreja Católica e apetece perguntar o que mais se virá a descobrir se houver investigações aprofundadas.

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O Homem na Natureza

Quando se fala de alterações na natureza é frequente a contraposição das alterações ditas “naturais” às causadas pelo homem ou artificiais. Esta dicotomia parte de uma concepção do homem como uma espécie “plantada” na natureza que, pela sua actividade, perturba e danifica essa natureza. Por outras palavras, uma concepção de que o mundo seria um lugar perfeito se não fosse habitado por homens.

Segundo esta concepção, todas as alterações provocadas no ambiente por todas as espécies, com exclusão do homem, são alterações naturais. Isto inclui as barragens feitas por castores em leitos de rios, a alteração do coberto vegetal em resultado da alimentação de espécies herbívoras, etc. Para um observador extra-planetário o homem é apenas uma das espécies que habitam o planeta; uma formiga que vai construindo os seus formigueiros. Mesmo que o homem venha a provocar alterações que ditem a extinção da espécie humana, o observador extra-planetário verá sempre isso como um fenómeno natural. Uma espécie animal que surgiu em certa fase da vida do planeta, que o povoou e evoluiu para a sua própria extinção; não seria a primeira.

Não sou capaz de imaginar o homem como um acrescento sobre a natureza. Para mim, o homem é um produto da evolução e tudo o que fizer é, por definição, natural, mesmo que seja em seu prejuízo. Na prática, onde é que isto nos conduz? Em relação a acções concretas não importa muito a postura que se adopta, de considerar o homem dentro da natureza ou sobre ela. Mas incomoda-me a postura de que o homem não pode senão danificar a natureza. Dizer que o mundo seria perfeito sem homens é parecido com dizer que Portugal seria perfeito sem portugueses; são frases que não fazem sentido. 

Estas reflexões foram sugeridas pelo artigo do Público Se os gelos do Oeste da Antárctida derreterem, os mares não subirão tanto quanto se pensava.

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