140 anos da Nature

natlogoA revista Nature tem enorme prestígio entre a comunidade científica e nasceu há 140 anos; com prestígio semelhante existe apenas a Science. O conteúdo do primeiro número está disponível “on line” aqui.

O prestígio daquelas revistas é tal e tal a dificuldade de conseguir nelas colocar um artigo, que muitos investigadores consideram esse feito como a coroa de glória da sua investigação; obviamente a grande maioria nuca lá chega.

As publicações científicas, no entanto, mudaram muito nestes 140 anos; muitos são os que pensam que hoje Einstein teria tido imensa dificuldade em publicar as suas teorias em qualquer revista científica de prestígio. A questão é que os editores das revistas tornaram-se extremamente conservadores para não porem em risco o prestígio adquirido. Os artigos têm que ser apreciados por revisores, membros da comunidade científica, que conhecem apenas a sua área específica de trabalho. O alcance de ideias verdadeiramente inovadores não é apreciado pelos revisores, porque não têm a preparação, o tempo e a ousadia para lhes dar acolhimento. É bem verdade que para cada nova ideia com verdadeiro valor aparecem milhares de ideias que são lixo e que pescar as primeiras é quase procurar agulha em palheiro. Os autores destas novas ideias têm hoje o recurso da Internet, onde tudo vai parar, com a esperança de que o tempo venha a separar o trigo do joio.

Só agora?

tit_25528

Assembleia da República

Por iniciativa de Jaime Gama, o parlamento acabou com as práticas do desdobramento e da acumulação de milhas; a primeira permitia que os deputados desdobrassem um bilhete de classe executiva em dois de classe turística, para levar o cônjuge, por exemplo, e a segunda permitia acumular milhas oferecidas pelas companhias aéreas em benefício próprio ou de terceiros.

Jaime Gama afirmou: “Esperamos que todos os órgãos de soberania, sem excepção, todos os serviços da administração pública e das empresas públicas, governos regionais e autarquias locais sigam o nosso exemplo porque é isso que está no caminho da modernidade”. Como? Li bem? Sigam o nosso bom exemplo ou deixem de seguir o nosso mau exemplo?

Tanto eu como os meus colegas, nas muitas viagens que fizemos para participar em conferências, sempre procurámos as viagens mais baratas e, em muitos casos, acabámos por ter que completar com dinheiro do nosso bolso os financiamentos insuficientes para cobrir as despesas. E vem agora o parlamento dar lições sobre boa utilização dos dinheiros públicos? Pelo menos tenham a coragem e vergonha de admitir que têm sido um péssimo exemplo, que não foi seguido pela maioria dos serviços.

Pagar a tempo e horas

universidade-minhoCPIINão deveria ser notícia o facto de uma instituição cumprir a tempo e horas os seus compromissos, mas infelizmente é. A Universidade do Minho começou a pagar as 2000 bolsas de estudo que atribuiu para o corrente ano, dentro do calendário previsto; no panorama nacional é de aplaudir.

A justiça estará a funcionar?

candidaalmeida_rtp

Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=70099&visual=3&layout=10

A propósito do recente caso “Face oculta”, disse a procuradora-geral adjunta, Cândia Almeida, que ” a justiça portuguesa está agora a funcionar melhor, temos mais meios que lhes foram concedidos temos mais possibilidades de recorrer a peritos”. É provável que tenha razão no que respeita à investigação dos processos mas que dizer dos tribunais? Será que este processo vai ser rápido e dele vão sair condenados?

Agora, que existe tanta preocupação com a avaliação do desempenho, quem avalia os juízes e os tribunais? Que tal fazer os rendimentos dos magistrados depender de chegar ao fim dos processos com identificação dos culpados antes que haja prescrição?

Iluminação com LEDs em Lisboa

O artigo que aqui escrevi sobre a primeira rua com iluminação pública por LEDs, é aquele que mais consultas recebe e é, de longe, o mais comentado de todos os meus artigos. Essa rua situa-se numa freguesia de Pombal e agora é a câmara de Lisboa que tem em avaliação a iluminação por LEDs, com ensaios no Parque Eduardo VII e no Jardim Amália Rodrigues (ver no Público de ontem). Porque se trata de um desenvolvimento importante, não quis deixar de mencioná-lo.

Nova direcção no Público

barbara_reis

rui gaudencio - 23 abril 2007 - barbara reis

Quando ontem vi o editorial do Público estranhei não ver a assinatura da nova directora, Bárbara Reis; a explicação vinha no próprio editorial e era que, a partir de ontem, os editoriais representam uma posição solidária de toda a direcção e não a de quem os escreve. Percebo e concordo, o que não quer dizer que achasse mau o procedimento anterior; parece-me aceitável de uma forma ou de outra.

Um segundo aspecto focado no texto, que acho mais importante, é que esta direcção está consciente de uma percepção, entre os leitores, de que o jornal adquiriu uma carga ideológica a qual se pretende eliminar. A direcção não assume que o jornal adquiriu uma carga ideológica, apenas que existe essa percepção, portanto manifesta intenção de actuar por forma a eliminar a percepção. Bem, acho que para bom entendedor meia palavra basta, por isso saúdo a intenção de eliminar a percepção, para o que será necessário eliminar a própria causa da percepção.

Primadomus

addonkeyUm chimpanzé, de nome Donkey, passou 15 anos numa sucata da zona de Lisboa, com uma trela de 80 cm, que não lhe permitia, sequer, pôr-se em pé, e foi resgatado há sete anos pela fundação AAP, holandesa. Passados estes anos em Almere, na Holanda, Donkey vai ser o líder de um grupo de 10 chimpanzés que vão inaugurar o novo centro Primadomus, com 180 hectares, localizado na região de Alicante, em Espanha. A notícia vem no Público mas quem quiser detalhes deve ir ao site da AAP.

Ganhos espectaculares na bolsa

PSI 20Quando surge uma notícia de ganhos de 50% na bolsa, como a do Jornal de Negócios, uma boa parte dos leitores fica invejosa por não ter aproveitado o boom, sobretudo se os ganhos foram obtidos por pequenos investidores e não pelos grandes tubarões; é natural cada um interrogar-se porque não foi investir as pequenas poupanças que tem e não beneficiou também daquele lucro fácil.

Notícias deste tipo são profundamente enganadoras; seria preciso indagar dos actuais ganhadores quanto perderam no ano anterior. O gráfico acima indica a evolução do PSI 20 nos últimos dois anos e é óbvio que quem começou a investir em Janeiro de 2009 tem agora um lucro de 50%, mas quem investiu em Janeiro de 2008 tem um prejuízo de mais de 30%. Para quem investe regularmente, um lucro de 50% implicaria que em Janeiro de 2008 tivesse havido a previsão da queda, desinvestindo completamente, e em Janeiro de 2009 tivesse havido previsão da subida, voltando a investir. Ninguém tem esses dons de previsão, felizmente.

40 anos de Inteligência Planetária

Head 6A propósito dos 40 anos da Internet, que se celebrarão proximamente, volto ao tema que já aqui desenvolvi algumas vezes: a emergência de uma inteligência planetária. Para ver os artigos anteriores basta seguir a tag evolução. Em resumo, a ideia de uma inteligência planetária assenta nos seguintes conceitos:

  1. A espécie humana distingue-se das restantes pela capacidade de pasar informação entre gerações fora do código genético e da educação dos jovens.
  2. Os desenvolvimentos tecnológicos seriam percebidos como processos de selecção natural por seres extra-planetários.
  3. Os “links” da Internet mimetizam as sinapses do cérebro e permitem olhar para toda a rede como um cérebro de abrangência planetária.

Não se julgue, no entanto, que desvalorizo o trabalho de Leonard Kleinrock como inventor da Internet; apenas penso que um desenvolvimento que se revela fundamental para a humanidade acabaria por acontecer mais cedo ou mais tarde.

O dilema de Isabel Alçada

Isabel-AlcadaA nova Ministra da Educação tem pela frente uma tarefa complicada mas o seu currículo permite supor que talvez seja a pessoa certa para o lugar nesta altura. Que me lembre nunca houve um ministro da educação que tivesse experiência de docência no ensino secundário; Isabel Alçada tem-na e, para além disso, foi delegada sindical, o que lhe dá uma outra experiência relevante.

O problema agora é que o governo não pode abdicar do seu método de avaliação dos docentes e as organizações de professores não podem recuar na sua exigência de suspensão do processo de avaliação antes da sua substituição por um outro. Nestes casos é importante que ambas as partes possam salvar a face num processo negocial; para isso exige-se, acho eu, que ministério e sindicatos consigam acordar num procedimento que permita ao primeiro dizer que está a fazer um aperfeiçoamento do processo, enquanto os sindicatos afirmarão que se trata de um novo método de avaliação.

Extremadas como estão as posições não é fácil conseguir encontrar uma posição de compromisso mas ela é indispensável para que haja pacificação no ensino e os professores voltem a ocupar-se com ensinar.