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Descubra as diferenças

Descubra as diferenças entre o PEC 4 e o acordo com o FEEF. Não se sabendo ainda exactamente os detalhes do acordo, tudo parece indicar que as diferenças entre os dois pacotes são pequenas, excepção feita à dilatação do prazo de redução do défice. Quem sai a ganhar com isto? Espero que seja o país mas, em termos individuais, parece-me que o claro vencedor é José Sócrates. As figuras caricatas da noite são, no entanto, Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, o primeiro a fazer o frete ao lado do Primeiro Ministro e o segundo parecendo um naufrago a gritar “Eh! Não se esqueçam de mim!”.
Parece-me cada vez mais provável que Sócrates seja o vencedor das próximas eleições, isto apesar de não ter nenhuma simpatia pessoal pelo indivíduo. De qualquer modo, seja ele ou Passos Coelho, o que desejo é que o vencedor tenha condições para formar um governo de maioria.

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Galiza afasta-se do norte de Portugal

A Galiza não está a ficar mais longe do Minho. De facto, com as auto-estradas actuais, de ambos os lados da fronteira, é hoje muito fácil transitar entre as principais cidades das duas regiões. A fronteira entre Portugal e Espanha é quase imperceptível quando se viaja de automóvel; é claro que é preciso atravessar o rio Minho por uma das quatro travessias existentes mas nada, para além da placa azul ao lado da estrada, nos mostra que passámos de um país para outro.

A paisagem rural é muito semelhante dos dois lados, bem como são semelhantes as pessoas e a língua, mas as estatísticas não mentem e o rendimento per capita dos galegos tem aumentado de forma mais sustentada do que o dos minhotos e do lado de lá da fronteira há mais indústria. Estas conclusões retiram-se do anuário produzido pelos Observatório das Dinâmicas Regionais da Comissão de Coordenação da Região Norte e pelo Instituto Estatístico da Galiza (IEG). Ler a notícia completa no Público.

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Estado deixa de pagar almoços nos ATL

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É notícia de hoje no Jornal de Notícias. A partir de 1 de Setembro o Estado deixará de subsidiar os almoços oferecidos à crianças dos Ateliês de Tempos Livres (ATL) geridos pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Segundo estimativas que ouvi em notícia da rádio, a medida pode afectar cerca de 90 mil crianças, muitas das quais não comem outra refeição quente além da que recebem no ATL.

Parece-me muito provável que haja abusos na forma de utilização dos subsídios, como acontece quase sempre com todos os subsídios ao fim de algum tempo. Consta também que as relações entre o Governo e as IPSS estão de cortar à faca e não há dúvida de que é necessário o maior rigor na utilização dos dinheiros públicos. Apesar de tudo isso, este corte radical, pelas consequências sociais que poderá ter, é exagerado e choca-me.

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A visita do Papa

Hoje tenho mesmo que falar da visita do Papa, porque tenho que reconhecer que não lhe fico indiferente. Também não fico empolgado, muito porque este Papa, não só não tem uma personalidade cativante, como tem tido uma actuação, antes e depois da eleição, que me tem deixado menos do que satisfeito.

Reconheço a utilidade de haver tolerância de ponto em Lisboa, na tarde de hoje, e no Porto, na manhã de sexta feira, já que as perturbações na vida destas duas cidades vai ser tal, que é preferível reduzir o número de pessoas em circulação. Não entendo a tolerância de ponto para todo o país, na quinta feira, porque acho incoerente com os esforços que o Governo está a pedir aos portugueses e com o estatuto assumidamente laico do Governo.

Seja como for, a visita passará, sem expectativas quanto ao que dela vai ficar.

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Mortes prematuras

Quando alguém morre aos 60 anos, costuma dizer-se que ainda era novo. Novo para morrer, presume-se. Até agora não se sabia grande coisa sobre a probabilidade de morte antes dos 60 nos vários países, mas um estudo recente veio fazer mais um ranking, desta vez para probabilidade de morte entre os 15 e os 60 anos. Em Portugal, essa probabilidade era de 10,9% para mulheres e de 20,8% para homens, em 1970, tendo passado para 4,9% e 12,1%, respectivamente, na data actual. Em termos internacionais, para a Europa, Portugal encontra-se em 11º lugar para as mulheres e em 21º lugar, penúltimo, para os homens.

Se quer saber mais, leia no Público.

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Direito à greve

O direito à greve é um direito estranho; não tenho dúvidas de que é um direito, porque a lei assim o estabelece, mas tenho muitas dúvidas de que a lei esteja bem feita. O direito à greve apareceu, na Grã Bretanha, historicamente, como a possibilidade de os operários se oporem aos patrões, que podiam fechar as fábricas quando muito bem lhes apetecia (lock out). A greve dos operário destinava-se a causar prejuízo directo aos patrões, não à sociedade em geral.

Acontece que a economia mudou muito desde então e as greves de sucesso fazem-se hoje nos sectores que mais afectam toda a população e contra o governo; uma greve numa fábrica passa quase despercebida face a uma greve dos transportes. Parece ter já passado o tempo em que a greve de uns impedia todos de trabalhar, porque era inadmissível ser fura-greves; felizmente que isso já é raro. Hoje fala-se também em greve por iniciativa dos patrões; os donos das empresas de transporte propõem-se fazer greve contra o governo, se calhar colocando os seus camiões em marcha lenta nas estradas e entradas da capital.

Na situação actual do país, todas as perturbações da economia levam os mercados internacionais a subir os juros da dívida e, em última análise, acarretam prejuízos também para aqueles que fazem greve. Os benefícios obtidos com greves, na situação presente, são ilusórios e passageiros. Vejo, com grande apreensão, a onda de perturbações que parece avizinhar-se.

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Considerações sobre o PEC

De uma maneira geral o Plano de Estabilidade e Crescimento entregue pelo Governo em Bruxelas tem recebido opiniões favoráveis das entidades mais responsáveis que dizem, em resumo, que será capaz de reduzir o défice das contas Portuguesas. O mercado, no entanto, parece ter outra opinião e cobra a Portugal juros elevados, manifestando incerteza relativamente à capacidade do Governo, este ou outro, em fazer cumprir o que promete.
Para além de factores de conjuntura imprevisíveis, que podem pôr em causa as previsões de evolução da economia mundial, por muito cautelosas que sejam, a evolução da economia nacional depende de factores internos, que poderão escapar ao controlo do Governo. É inevitável que as medidas de poupança e de rigor financeiro causem descontentamento na população, o qual pode fazer multiplicar greves que paralizem a economia; nada garante que o Governo seja capaz de lidar com um tal cenário sem relaxar o controlo sobre salários, o que comprometerá o PEC. Mas o PEC estará também comprometido se o Governo se mantiver firme e, em consequência disso, a economia estagnar. O PEC só terá sucesso se a população aceitar os sacrifícios sem grandes protestos.
A Grécia está já a passar um mau bocado e as medidas de apoio oferecidas pela UE poderão não se concretizar, isto porque à Grécia vão ser exigidas garantias que o Governo poderá não conseguir dar. Como é que um Governo pode comprometer-se a fazer poupanças e aumentar receitas, se isso levar a uma onda geral de greves?

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